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Bolsa americana em máximas históricas: é hora de entrar?

Ciclo de expansão ganha força com inteligência artificial, consumo e expectativa de juros mais baixos

Redação BM&C NewsPor Redação BM&C News
16/01/2026

A bolsa americana segue renovando máximas históricas em um movimento que, levanta dúvidas em relação a euforia. Para Fabio Fares, o mercado entrou em um ciclo claro de expansão, sustentado por atividade econômica robusta, inflação mais controlada e uma postura do governo voltada a manter o crescimento até o período eleitoral.

Em entrevista à BM&C News, Fares afirma que a economia dos Estados Unidos opera em um regime de run it hot, com estímulos explícitos para manter renda, consumo e confiança elevados.

“A inflação deixou de ser o elefante na sala. Hoje, o foco está muito mais no mercado de trabalho. E o governo tem dezenas de ferramentas e uma eleição no fim do ano. Vai fazer o que for preciso para o americano se sentir bem economicamente”, afirmou.

Economia forte sustenta o apetite por risco na bolsa americana

Mesmo com discussões sobre inflação, geopolítica e possíveis realizações técnicas nos índices, Fares avalia que o pano de fundo segue favorável ao risco. Indicadores antecedentes continuam em níveis saudáveis, enquanto o Federal Reserve mantém a expectativa de cortes de juros ao longo do ano.

“Estamos em um ciclo de expansão. A economia americana continua pró crescimento, pró atividade e pró risco”, disse.

Segundo ele, esse ambiente ajuda a explicar por que eventuais correções nos índices, como Nasdaq e S&P 500, têm sido pontuais e absorvidas rapidamente pelo mercado.

Rali deixa de ser exclusivo das big techs

Um dos pontos centrais da análise de Fares é a ampliação do rali na bolsa americana. O movimento, que antes estava concentrado em grandes empresas de tecnologia, começa a se espalhar por outros setores e classes de ativos.

“Não é só tecnologia. Small caps já dão sinais claros, o setor financeiro começa a reagir, saúde, industrial… o risco está se dispersando”, afirmou.

Ele cita o desempenho recente das empresas de menor capitalização, representadas pelo Russell 2000, como evidência de que o crescimento está se tornando mais equilibrado dentro do mercado acionário.

Inteligência artificial entra na “segunda onda”

Para Fares, a inteligência artificial segue como um dos principais vetores estruturais do ciclo atual, mas agora em uma fase mais concreta e menos especulativa.

“A TSMC acabou de divulgar um resultado extraordinário, aumentou investimentos e deixou claro: a demanda é real, são empresas com caixa”, destacou.

Segundo ele, setores como o financeiro devem ser dos primeiros a capturar ganhos relevantes com a adoção de IA, especialmente por meio da redução de custos, corte de mão de obra e expansão de margens.

Energia mais barata e consumo em alta

Outro fator citado pelo analista é o impacto da energia mais barata sobre a economia americana. A combinação de petróleo em níveis mais baixos e inflação mais comportada tende a reforçar o poder de compra da classe média e sustentar o consumo discricionário.

“Com mais dinheiro no bolso, a classe média consome. Isso sustenta crescimento por pelo menos um semestre e meio até a eleição”, avaliou.

Realizações não mudam o cenário estrutural para a bolsa americana

Apesar de resultados positivos, ações de grandes bancos como JPMorgan, Wells Fargo e Bank of America passaram por momentos de correção. Para Fares, isso faz parte do processo natural de mercado e não altera o cenário estrutural.

“As pessoas se fixam muito na realização e perdem o foco. O longo prazo premia. Obstáculos sempre vão existir”, disse.

Fluxo global começa a alcançar emergentes

O movimento positivo nos Estados Unidos também tem reflexos fora do país. Segundo Fares, mercados emergentes começam a capturar parte desse fluxo global de recursos, ainda que de forma desigual.

“Emergentes vão surfar essa onda. O Brasil acaba surfando por osmose”, afirmou.

Ele observa, no entanto, que o comportamento do câmbio brasileiro ainda reflete incertezas fiscais e o fator eleitoral, mesmo com a bolsa em máximas e o dólar relativamente estável.

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Primeiro semestre tende a ser forte para a bolsa americana

Na avaliação do analista, o primeiro semestre deve concentrar grande parte do dinamismo do ciclo atual, com crescimento global voltando a patamares mais próximos do período pré-pandemia.

“Com inflação moderada, juros acomodativos e a implementação da inteligência artificial, voltamos a um mundo de crescimento mais estável”, disse.

Para Fares, o histórico recente reforça essa leitura.

“Tirando 2022, quando a inflação bateu 9% nos EUA, a bolsa subiu em praticamente todos os anos desde 2020”, concluiu.

BOLSA AMERICANA

Créditos: depositphotos.com / rabbit75_dep

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