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Papo de Dinheiro discute as lições deixadas pela queda do Banco Master

Renata Nunes Por Renata Nunes
28/11/2025
Em INVESTIMENTOS E FINANÇAS

A liquidação do Banco Master abriu uma nova discussão sobre risco, liquidez e comportamento dos investidores no mercado brasileiro. No programa Papo de Dinheiro, apresentado por Felipe Nascimento, a economista e planejadora financeira Patrícia Palomo, CFP pela Planejar, explicou os principais pontos de atenção que o episódio traz para quem investe em renda fixa bancária.

A quebra do Banco Master, segundo ela, evidenciou um equívoco comum entre investidores: a ideia de que títulos de renda fixa oferecem garantia absoluta. “A primeira lição é que a renda fixa não é fixa e tem risco”, afirmou. Ela ressaltou que, no momento em que uma instituição financeira entra em liquidação, os títulos deixam de ser corrigidos e ficam congelados, até que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) conclua o processo de apuração de passivos e ativos.

O prazo para liberação dos recursos ainda é incerto. “A gente não sabe quanto tempo esse recurso ficará parado até que o FGC consiga efetuar os pagamentos”, afirma Palomo.

Banco Master abre discussão: risco de liquidez é subestimado

A especialista destacou que muitos investidores alocaram recursos buscando taxas maiores do que as oferecidas por emissores tradicionais. Quando o banco é liquidado, esses papéis congelam e impedem o resgate.

“O investidor pode ficar num momento de iliquidez, sem acesso ao recurso para fazer frente a despesas ou obrigações”, explicou.

Por que investidores seguem buscando taxas altas?

Uma das questões levantadas por Felipe Nascimento foi o motivo pelo qual investidores continuam priorizando taxa, mesmo após casos de liquidação. Palomo aponta a dificuldade estrutural de análise. “É muito difícil fazer uma análise de crédito correta. Até investidores profissionais enfrentam essa dificuldade.”, destaca.

Ela também lembrou que a padronização dos produtos bancários, como CDBs, facilita decisões superficiais, levando muitos a escolher apenas pelo valor oferecido, especialmente quando há cobertura do FGC.

Taxas elevadas são indicativo de mais risco

A economista destacou que taxas muito acima do mercado refletem uma operação mais arriscada do emissor. Em emissores tradicionais e conservadores, o custo de captação tende a ser menor.

“Se uma instituição está pagando muito acima dos pares, é porque ela precisa captar mais caro, e isso em geral indica uma carteira de crédito mais arriscada.”, avalia.

Incentivos distorcidos e efeito no FGC

Palomo afirmou que houve um incentivo claro para pulverização dos títulos do Banco Master em pequenos valores, para alcançar cobertura do FGC.

Segundo ela, esse movimento gera distorções no sistema financeiro. “Esse comportamento criou incentivos perversos. Parte do risco concentrado foi pulverizado para pessoas físicas, elevando a cobertura do FGC de forma indireta.”

A economista explicou que distribuições primárias e secundárias incentivadas por comissionamento podem ter contribuído para a ampliação da base de investidores expostos.

Além do Banco Master: o que esperar dos próximos passos

Com a liquidação do Banco Master, o FGC iniciará o processo de apuração dos passivos cobertos. O volume exato de credores ainda não foi divulgado oficialmente, mas estimativas apontam que o número pode ultrapassar mil investidores.

Palomo alertou que as recentes mudanças anunciadas pelo FGC, que endurecem regras de contribuição de bancos menores, devem alterar o cenário de captação no próximo ano e reduzir a remuneração de títulos bancários mais agressivos.

Como evitar decisões impulsivas

Para a economista, o episódio deve servir como orientação para uma postura mais cautelosa. Ela reforçou que o investidor precisa definir objetivos claros e uma metodologia de alocação baseada em propósito, patrimônio e proteção.

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Além disso, recomenda criar uma política pessoal de investimento: “O investidor deve registrar o que quer investir, o que não quer e entregar isso ao assessor. Isso protege os dois lados.”

Ao final, Palomo reforçou que, mais do que buscar taxas, o investidor deve focar em alinhamento entre risco, objetivo e prazo. “Investir não é o fim. É o meio. O fim são os objetivos”, afirmou.

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