O Irã afirmou nesta quinta-feira (16) que o Estreito de Ormuz é uma “linha vermelha” e advertiu que poderá atacar infraestruturas americanas e instalações localizadas em países do Golfo caso os Estados Unidos atinjam pontes e usinas iranianas.
A declaração ocorre após os Estados Unidos realizarem, na quarta-feira (15), uma quinta noite consecutiva de ataques contra o território iraniano e restabelecerem o bloqueio naval aos portos do país.
Segundo Washington, as operações buscam forçar a reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã no sábado (11), após o colapso de uma trégua entre os dois países.
Antes do início da guerra, cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás passava pela rota, considerada uma das principais vias de transporte de energia do mundo.
Irã afirma manter controle sobre Estreito de Ormuz
O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, declarou que Teerã mantém controle sobre a passagem marítima e que essa capacidade não depende apenas das bases localizadas na costa sul ou nas ilhas do país.
“Os americanos pensavam que, ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle deste estreito estratégico”, afirmou Akraminia.
Segundo o general, o Irã pode controlar o Estreito de Ormuz a partir de diferentes pontos de seu território. O Exército também declarou que resistirá às intervenções americanas na região.
Após os primeiros ataques realizados na noite de quarta-feira, o principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o país está em uma “guerra essencial e existencial com a América”.
Teerã estabelece condições para reabrir passagem
O governo iraniano informou que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento de um memorando de entendimento de 14 pontos, assinado por Irã e Estados Unidos em junho.
Teerã também exige a aplicação de regulamentações iranianas para o tráfego de embarcações na passagem marítima.
Três autoridades americanas disseram à imprensa internacional que os ataques destinados a reabrir o estreito também têm como alvo capacidades militares iranianas que os Estados Unidos pretendem destruir antes de iniciar operações mais complexas.
Trump ameaça atacar pontes e usinas iranianas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na terça-feira (14) atacar usinas de energia e pontes no Irã na semana seguinte, caso Teerã não retome as negociações.
Akraminia declarou que, se a ameaça for concretizada, as forças iranianas atacarão “toda a infraestrutura restante” na região do Golfo.
De acordo com o porta-voz, a resposta iraniana terá maior alcance e será mais intensa do que as ofensivas realizadas anteriormente.
Irã anuncia ataques contra bases americanas
O Irã afirmou ter atacado instalações utilizadas pelos Estados Unidos no Kuwait e na Jordânia. Em comunicado, o Exército advertiu os países vizinhos de que o uso de seus territórios para ofensivas contra o solo iraniano não ficará sem resposta.
“Nossos vizinhos devem saber que fornecer uma base aos americanos e permitir que eles disparem contra o solo iraniano é inaceitável e não ficará sem resposta”, declarou o Exército iraniano.
As forças iranianas disseram ter lançado mísseis balísticos contra a Base Aérea de Al Azraq, na Jordânia. O governo jordaniano informou ter abatido oito mísseis durante a madrugada.
A Guarda Revolucionária também declarou ter destruído um centro de comunicações via satélite e um radar de alerta antecipado da Base Aérea de Ali Al Salem, além de um píer militar dos Estados Unidos na região de Al Shuaiba, no Kuwait.
No Bahrein, sirenes foram acionadas durante a madrugada. O Ministério da Defesa do país informou que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram ataques iranianos. O Kuwait, por sua vez, declarou ter respondido a ameaças envolvendo drones.
Escalada amplia riscos para exportações de energia
A nova escalada e as ameaças de interrupção das exportações regionais de energia aumentam o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio.
Analistas afirmam que o Irã também pode recorrer aos Houthis, no Iêmen, para tentar fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado na entrada do Mar Vermelho.
Um eventual bloqueio abriria uma nova frente contra Washington e colocaria em risco outra rota utilizada para o transporte internacional de petróleo, gás e mercadorias.
A guerra já matou milhares de pessoas e deslocou milhões, principalmente no Irã e no Líbano, onde os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, foram retomados.














