A XP Investimentos teria deixado o capital do Will Bank em 2024 por meio de uma operação que envolveu a troca de sua participação societária por títulos de renda fixa emitidos pelo Banco Master, segundo registros públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e apuração jornalística.
A saída ocorreu após o Banco Master assumir o controle da Will Financeira, em operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central. Até então, a XP era sócia minoritária do Will Bank por meio do fundo XP Private Equity I, que havia participado do aporte realizado em 2021 ao lado da Atmos Capital.
XP no Will Bank: da entrada como sócia à saída via renda fixa
De acordo com dados da CVM, o fundo de private equity ligado à XP aportou R$ 150 milhões no Will Bank em 2021, em uma rodada que somou R$ 250 milhões. Com isso, a XP passou a deter cerca de 14,9% do capital da instituição financeira. Em 2022, essa participação chegou a se valorizar, mas voltou a perder valor nos anos seguintes, em meio ao agravamento das dificuldades operacionais do banco digital.
Em 2024, após a mudança de controle do Will Bank, a XP negociou sua saída da operação. A transação envolveu a compra de aproximadamente R$ 410 milhões em CDBs do Banco Master, como contrapartida pela transferência da participação societária. Parte desses títulos foi posteriormente distribuída a investidores, enquanto outra parcela permaneceu em carteira.
Exposição aos CDBs do Master
Informações posteriores indicam que, em 2025, o fundo ligado à XP voltou a adquirir volumes adicionais de CDBs do Banco Master e realizou novas vendas desses papéis ao mercado, mantendo ainda uma posição residual. À época, os títulos ofereciam taxas de rentabilidade acima da média do mercado, segundo dados de mercado.
Esses movimentos ocorreram antes da decretação da liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central e antes do agravamento da crise do Banco Master, que culminou na interrupção de suas operações.
O relatório a seguir mostra que em 2025, os CDBs do Master aparecem na carteira do fundo XP Equity. Veja mais clicando aqui.

O que diz a XP
Procurada, a XP Asset Management afirmou que a exposição ao Will Bank ocorreu exclusivamente por meio de um fundo de private equity, sem uso de capital proprietário. O fundo, segundo a XP, deteve participação minoritária de 14,9% entre 2021 e 2023, como parte de uma carteira diversificada voltada a investidores qualificados e profissionais. A XP informou ainda que a venda da participação foi realizada em 2023 e aprovada em 2024, por meio de um processo competitivo, e que a operação foi concluída antes de se tornarem públicos os eventos recentes envolvendo a instituição.
Leia a nota na íntegra:
“A XP Asset Management esclarece que a exposição ao Will Bank ocorreu exclusivamente por meio de um de seus fundos de Private Equity, sem qualquer capital proprietário. O fundo, voltado apenas para investidores qualificados e profissionais, deteve participação minoritária de 14,9% no ativo de 2021 a 2023. O investimento, fez parte de uma carteira diversificada, e representou 10,9% do portfólio do fundo, que também investiu em setores como Oftalmológico, Seguros, Financeiro e E-commerce, sempre buscando o melhor retorno para seus cotistas.
A venda da participação minoritária foi realizada em 2023, e aprovada em 2024, via processo competitivo que atraiu potenciais compradores de diversos segmentos da economia, como parte do ciclo natural de desinvestimentos do fundo. O processo foi concluído muito antes de se tornarem públicos os eventos recentes envolvendo a instituição. A operação seguiu as melhores práticas de compliance e mercado, e foi integralmente aprovada pelos órgãos reguladores competentes“.












