O empresário e investidor Nelson Tanure se manifestou pela primeira vez após ter sido alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o extinto Banco Master.
A operação teve nova fase autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, nesta terça-feira (13). Tanure foi abordado por agentes da PF no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcava para Curitiba. Na ocasião, seu celular foi apreendido em cumprimento a mandado de busca pessoal expedido pelo STF.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após entrar em colapso financeiro. A investigação apura a existência de operações financeiras consideradas irregulares, que teriam sido utilizadas para maquiar o balanço da instituição, então comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Investigação aponta suspeita de vínculo indireto de Tanure
De acordo com a apuração apresentada pela Polícia Federal ao STF, há a suspeita de que Nelson Tanure teria atuado como sócio oculto do Banco Master, por meio de estruturas financeiras complexas envolvendo fundos de investimento, empresas interpostas e operações de crédito. Segundo os investigadores, essas relações poderiam ter extrapolado uma atuação estritamente comercial.
A representação da PF, citada na decisão do ministro Dias Toffoli, menciona que Tanure teria exercido influência sobre a instituição por meio dessas estruturas. As investigações contam ainda com o acompanhamento do Ministério Público Federal em São Paulo.
Um relatório técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também apontou indícios de uma atuação considerada “coordenada” e “interdependente” entre o empresário e o Banco Master em operações relacionadas à companhia de serviços ambientais Ambipar, atualmente em recuperação judicial, que teriam como objetivo inflar o preço das ações da empresa.
Tanure nega vínculo societário com o banco
Em nota divulgada, Nelson Tanure negou qualquer vínculo societário com o Banco Master. Segundo o empresário, sua relação com a instituição sempre foi estritamente comercial, na condição de cliente, aplicador ou investidor em produtos financeiros oferecidos pelo banco.
“Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”, afirmou no comunicado.
Tanure declarou que as relações mantidas envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão do banco ou conhecimento de outras operações internas da instituição.
O empresário também afirmou não ter tido participação ou conhecimento de eventuais relações do Banco Master com outras instituições financeiras, fundos de pensão, entes públicos ou agentes políticos.
Empresário relata abordagem da PF e diz confiar nas investigações
Na nota, Tanure relatou ter sido “surpreendido” pelo cumprimento do mandado de busca pessoal, que classificou como uma “cena inusitada” em sua trajetória empresarial. Ele afirmou ter atendido os agentes com respeito e prontidão.
Segundo o empresário, os recursos aplicados em operações com o Banco Master têm origem exclusiva em sua atividade empresarial, desenvolvida ao longo de décadas em setores como telecomunicações, petróleo, energia e construção civil. Ele afirmou ainda que, há algum tempo, vinha reduzindo gradualmente a exposição de seus negócios à instituição financeira.
Sem detalhar valores, Tanure declarou que eventuais recursos remanescentes no banco representam perdas consideradas suportáveis, inerentes a operações de risco.
Ao final do comunicado, o empresário afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e disse confiar que sua conduta será considerada lícita após o esclarecimento dos fatos.
A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento.
Veja o comunicado oficial
Na manhã desta quarta-feira (14/01/2026), fui surpreendido com um pedido de “busca pessoal”, emitido pelo STF, que atendi com respeito e prontidão. Na ocasião, meu celular foi recolhido. Cena inusitada para mim, nessa quadra da minha vida, com mais de 50 anos de vida empresarial nos mais diversos campos da economia brasileira.
A cobertura sobre o fato foi agravada pela publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação.
Diante disso, em respeito à minha história e à de todos que dela participam, quero deixar uma mensagem aos que realmente me conhecem, acompanham, que fazem ou fizeram negócio comigo ou com empresas das quais participo.
1). NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes.
2) Mantivemos com o referido banco relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador, assim como fazemos com outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Essas relações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, sem qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas dessas instituições. Todas as operações foram realizadas em estrita conformidade com a legislação e a regulamentação vigentes.
3) Jamais tivemos participação, ou sequer conhecimento, de eventuais relações mantidas pelo extinto Banco Master com terceiros, sejam eles Reag, BRB, Fictor ou outras instituições financeiras, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos, políticos ou quaisquer outros agentes baseados em Brasília.
4) Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado.
5) Há bastante tempo vínhamos reduzindo gradualmente nossa exposição ao referido banco. Neste momento, os valores eventualmente remanescentes correspondem a perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco.
Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar, demonstrando a correção da minha conduta. Tenho fé, e plena confiança na seriedade das investigações, de que todos os fatos relacionados a mim serão devidamente esclarecidos e de que ficará comprovado que minhas relações com o extinto banco foram integralmente lícitas, ainda que, infelizmente, tenham nos acarretado bastantes prejuízos.
Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil.












