O ano de 2026 marca uma inflexão na forma como as empresas desenham seus programas de desenvolvimento de equipes. Pressionadas por desafios como queda de engajamento, baixa produtividade e dificuldades de liderança, organizações estão deixando para trás modelos tradicionais de treinamento e migrando para estruturas mais contínuas, personalizadas e orientadas por dados.
A lógica do “evento pontual” perde espaço para trilhas de aprendizado que acompanham a rotina dos times, com foco direto em aplicação prática e impacto no negócio. Nesse novo cenário, tecnologia, inteligência artificial e análise de dados deixam de ser apenas ferramentas de apoio e passam a orientar decisões sobre conteúdo, formato e acompanhamento do desenvolvimento dos colaboradores. “Os formatos mais procurados são treinamentos híbridos, modulares e altamente customizados. A combinação entre encontros presenciais estratégicos, experiências práticas, microlearning digital e acompanhamento contínuo responde melhor às demandas atuais das organizações”, afirma Paula Barros, fundadora da PLN Consultoria
A mudança não é apenas estética ou tecnológica. Trata-se de uma transformação estrutural na forma como o aprendizado é encarado dentro das empresas. Programas longos, genéricos e focados exclusivamente em conteúdo vêm perdendo relevância porque não entregam mudança efetiva de comportamento. Em um ambiente corporativo cada vez mais pressionado por resultados, aprender sem aplicar passou a ser visto como custo. “Hoje, aprender sem aplicar virou custo, não investimento”, resume a especialista.

O ritmo acelerado das organizações também impõe novos formatos. Treinamentos extensos e desconectados da operação não acompanham a velocidade das decisões e das demandas do negócio. “O aprendizado precisa ser ágil, com ciclos curtos, objetivos claros e métricas de impacto”, afirma Paula, destacando que o treinamento deixa de ser um evento isolado para se tornar “um processo vivo”.
As dores que impulsionam a transformação
Por trás da mudança nos modelos de treinamento estão dores recorrentes nas empresas. Baixo engajamento, dificuldade de transformar conhecimento em prática e desalinhamento entre desenvolvimento de pessoas e estratégia corporativa aparecem como desafios centrais.
De acordo com Paula Barros, esses problemas exigem uma revisão profunda na forma como os programas são estruturados. “Os treinamentos precisam ser contextualizados à realidade da empresa, conectados aos desafios diários dos times e desenhados a partir de dados reais da operação”, afirma.
Na prática, isso significa abandonar soluções prontas e investir em trilhas de desenvolvimento sob medida. A especialista ressalta que não há transformação sem continuidade. “Sem acompanhamento pós-treinamento, não há transformação, apenas informação”, diz.
Soft skills ganham protagonismo
Outro movimento que se consolida em 2026 é o aumento da demanda por soft skills comportamentais. Em um ambiente de pressão, mudanças constantes e equipes mais diversas, habilidades como gestão emocional, liderança humanizada e comunicação clara passam a ser vistas como alavancas diretas de produtividade e retenção.
Essas competências deixam de ser tratadas como complementares e passam a integrar o núcleo dos programas de desenvolvimento. A integração entre hard e soft skills é essencial para que o aprendizado gere impacto real no desempenho das equipes.
Cultura de aprendizagem como diferencial competitivo
Nem todas as empresas, porém, conseguem avançar nesse processo. O que diferencia aquelas que obtêm resultados consistentes das que falham está menos no formato do treinamento e mais na cultura organizacional. “O principal diferencial é a cultura de aprendizagem, patrocinada pela liderança e conectada ao propósito do negócio”, afirma Paula. Empresas bem-sucedidas incorporam o aprendizado à rotina, envolvem líderes como multiplicadores e criam ambientes seguros para erro e evolução.
À medida que 2026 avança, o treinamento corporativo deixa de ser um centro de custo isolado e passa a integrar a estratégia das empresas. Modelos contínuos, personalizados e orientados por dados ganham espaço, impulsionados pela necessidade de resolver dores reais do negócio e fortalecer a retenção de talentos. “Engajamento nasce quando o colaborador entende por que está aprendendo, como isso impacta seu trabalho e quais oportunidades esse desenvolvimento gera”, resume Paula Barros.
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