O BTG Pactual revisou sua avaliação sobre a Petrobras (PETR4), retirando a recomendação de compra e passando o papel para neutro, ao iniciar a cobertura do setor de óleo e gás. Em documento assinado pelos analistas Bruno Henriques e Gustavo Cunha, o banco afirma que a restrição financeira deve prevalecer sobre eventuais mudanças de política, limitando o potencial de alta da estatal nos próximos anos.
Segundo o BTG, embora a Petrobras continue sendo um dos principais veículos para investidores que buscam exposição ao ciclo eleitoral brasileiro, uma eventual mudança no cenário político dificilmente provocará alterações relevantes na direção estratégica da companhia. “Desta vez, acreditamos que uma mudança no ciclo político brasileiro dificilmente desencadeará uma alteração relevante na direção estratégica da Petrobras”, afirmam os analistas.
A avaliação considera que a alavancagem da companhia deve aumentar entre 2026 e 2027, em um contexto de persistente desconexão entre a política de dividendos e a efetiva geração de fluxo de caixa para o acionista.
Produção cresce com novos FPSOs, mas pressão sobre o caixa permanece
O relatório destaca a forte execução operacional da Petrobras no segmento de exploração e produção. O BTG projeta que a produção alcance cerca de 2,7 milhões de barris por dia até 2028, impulsionada pela entrada de novos FPSOs e pelo aumento de capacidade de unidades já existentes.
Apesar do crescimento robusto da produção, o banco chama atenção para o impacto do ciclo de investimentos. A transição do modelo de FPSOs arrendados para unidades próprias, a partir de 2026, deve elevar os desembolsos iniciais de capital. Além disso, a inflação de custos elevou o capex de projetos offshore em até 30% a 40%, pressionando ainda mais a geração de caixa no curto prazo.
De acordo com os analistas, despesas com arrendamentos devem atingir cerca de US$ 9,6 bilhões em 2026, acima dos níveis observados em anos anteriores, o que restringe a capacidade de pagamento de dividendos, especialmente em cenários de petróleo mais baixo.
Brent acima de US$ 65 é necessário para equilíbrio do fluxo de caixa
O BTG estima que, com o Brent a US$ 62 por barril em 2026, os dividendos ordinários continuarão acima do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE). Isso ocorre porque a política de dividendos da Petrobras não considera as despesas com arrendamentos, que seguem elevadas.
Nas contas do banco, a Petrobras entregaria um FCFE de cerca de US$ 6,5 bilhões em 2026, insuficiente para cobrir aproximadamente US$ 7,6 bilhões em dividendos. Para atingir neutralidade de fluxo de caixa, o Brent precisaria ter média próxima de US$ 67,5 por barril.
“O cenário financeiro segue apertado, considerando o ciclo pesado de investimentos, a transição do modelo de FPSOs, potenciais operações de M&A e uma política de dividendos que não reflete a geração efetiva de caixa”, apontam Henriques e Cunha.
Valuation justo sustenta recomendação neutra
Na avaliação final, o BTG reconhece que a Petrobras pode se beneficiar de uma eventual compressão do prêmio de risco do Brasil, mas ressalta que a visibilidade macro-política segue limitada e que a flexibilidade financeira da companhia está restrita.
Embora vendas de ativos, racionalização de capex e avanços exploratórios na Margem Equatorial sejam possíveis vetores de valor no longo prazo, o banco vê poucos catalisadores de curto prazo capazes de sustentar uma valorização relevante da ação até 2026.
Diante desse conjunto de fatores, o BTG conclui que o valuation atual da Petrobras é justo, o que justifica a mudança de recomendação e a adoção de uma postura mais cautelosa em relação ao papel.
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