O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A votação terminou com 31 votos favoráveis e 13 contrários. Agora, a nomeação oficial dependerá da publicação no Diário Oficial da União (DOU).
Mais cedo, Lobo já havia sido aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, por 19 votos a 4, após passar por sabatina no colegiado.
Indicação enfrentou demora no Senado
Otto Lobo foi indicado pelo governo federal em janeiro, mas a mensagem só chegou oficialmente ao Senado em fevereiro. O despacho para análise da CAE ocorreu apenas em abril, feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Nos bastidores, a demora foi associada a uma suposta insatisfação de Alcolumbre, que teria sido apontado como “padrinho” político da indicação, algo negado pelo senador.
A escolha de Lobo também gerou resistência dentro do mercado financeiro e da própria equipe econômica. Parte dos agentes enxergava o advogado mais como um nome político do que técnico para comandar a autarquia responsável pela regulação do mercado de capitais.
Caso Master elevou pressão sobre reguladores
As discussões em torno da indicação ganharam força após as repercussões envolvendo o banco Master. O episódio aumentou a cobrança por maior rigor de fiscalização por parte de órgãos como a CVM e o Banco Central.
A indicação de Otto Lobo foi interpretada por integrantes do mercado como uma derrota política do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já que a equipe econômica trabalhava por outro nome para assumir a presidência da reguladora.
Lobo ocupou interinamente a presidência da CVM até 31 de dezembro de 2025, quando terminou seu mandato. Ele havia chegado à diretoria da autarquia em 2022, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Sabatina abordou Ambipar, Master e JBS
Durante a sabatina na CAE, Otto Lobo foi questionado sobre a atuação da CVM no caso Ambipar e afirmou que a reguladora não pode agir sob pressão externa.
“O presidente da CVM não pode se dobrar a pressões externas”, declarou o indicado, acrescentando que nunca favoreceu o banco Master em suas decisões dentro da autarquia.
Lobo também negou qualquer apoio do empresário Joesley Batista à sua indicação. Segundo ele, não existe impedimento para atuar em processos relacionados à JBS, já que as decisões da CVM são tomadas de forma colegiada.
Senado também aprova Igor Muniz
Na mesma sessão, o Senado aprovou a indicação de Igor Muniz para uma diretoria da CVM. O placar foi de 39 votos favoráveis, 9 contrários e uma abstenção.
Muniz é advogado e já presidiu a Comissão de Direito Societário da OAB do Rio de Janeiro.
As aprovações ocorrem em um momento de maior pressão sobre a CVM para reforçar a fiscalização do mercado de capitais após os recentes episódios envolvendo o banco Master.














