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Projetada para ter 8.000 km a Transamazônica ainda possui 1.750 km não pavimentados que se tornam lamaçais intransitáveis 6 meses por ano

Ryan Cardoso Por Ryan Cardoso
20/01/2026
Em ECONOMIA, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Projetada durante o regime militar como um símbolo da conquista da Amazônia, a rodovia Transamazônica (BR-230) é hoje um retrato do abandono. Dos mais de 4.000 km de seu traçado principal, cerca de 1.750 km ainda não são pavimentados, transformando-se em lamaçais intransitáveis durante seis meses do ano.

Qual o estado atual da Transamazônica?

A rodovia que deveria integrar o “Brasil profundo” é, na maior parte de sua extensão, um desafio de sobrevivência. Os trechos de terra, especialmente entre o Pará e o Amazonas, se deterioram completamente durante o “inverno amazônico” (período de chuvas).

Projetada para ter 8.000 km a Transamazônica ainda possui 1.750 km não pavimentados que se tornam lamaçais intransitáveis 6 meses por ano
(Imagem ilustrativa)Trechos não pavimentados da rodovia Transamazônica que enfrentam lamaçais intensos durante seis meses

Caminhões ficam atolados por semanas, pontes de madeira improvisadas cedem e comunidades inteiras ficam isoladas. O que foi projetado para ser uma via de desenvolvimento se tornou uma barreira para a economia e a dignidade de quem vive na região.

Os desafios da travessia:

  • Atoleiros: Trechos de lama que “engolem” veículos.

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  • Pontes Precárias: Estruturas de madeira que não suportam o peso.

  • Isolamento: Falta de sinal de celular e pontos de apoio por centenas de quilômetros.

  • Insegurança: Risco de assaltos em trechos de parada forçada.

Por que a obra nunca foi concluída?

A Transamazônica foi um projeto faraônico, iniciado sem um planejamento ambiental e logístico adequado. Os custos de pavimentação e manutenção na floresta amazônica são altíssimos, e ao longo das décadas, a obra foi marcada por descontinuidade de investimentos e desafios de engenharia.

Para você entender por que a Transamazônica nunca foi concluída, selecionamos o conteúdo do canal Horizon Geo. No vídeo a seguir, o especialista detalha visualmente a trajetória da BR-230, explicando os desafios de construir no meio da floresta amazônica e os altos custos que impediram a finalização do projeto original até Benjamin Constant:

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) segue trabalhando em lotes de pavimentação, mas em um ritmo lento que não acompanha a degradação da via. O sonho de cruzar a Amazônia de ponta a ponta por asfalto ainda parece distante.

Leia também: A incrível união de 25 mil pessoas que compraram um castelo em ruínas do século XIII para salvar a fortaleza histórica usando técnicas antigas

Qual o impacto do abandono para a população local?

O impacto é devastador. O custo do frete para levar alimentos e combustíveis para as cidades ao longo da rodovia dispara na época da chuva. O escoamento da produção agrícola, como a soja e o cacau, fica comprometido, gerando prejuízos bilionários.

Além da economia, o acesso a serviços básicos como saúde e educação é severamente prejudicado. Uma viagem que levaria horas se transforma em uma jornada de dias. A situação da rodovia é um entrave direto ao desenvolvimento humano da região, como mostram os indicadores sociais do IBGE Cidades.

O projeto original vs. a realidade:

  • Projeto: 8.000 km de extensão total (incluindo ramais).

  • Realidade: Traçado principal de ~4.200 km com grandes trechos de terra.

  • Promessa: Integração e desenvolvimento.

  • Resultado: Isolamento e entrave econômico.

Existe esperança de conclusão?

A conclusão da pavimentação da Transamazônica é uma promessa política recorrente. Recentemente, novos investimentos foram anunciados, mas a população local permanece cética, acostumada a um ciclo de obras que começam e não terminam.

A rodovia é um exemplo extremo dos desafios de infraestrutura no Brasil.

Trecho Estado Atual Principal Desafio
Leste (Paraíba/Ceará) Totalmente pavimentado. Tráfego intenso.
Central (Pará/Amazonas) Majoritariamente não pavimentado. Lamaçais e isolamento.
Oeste (Amazonas) Trechos isolados e intransitáveis. Logística e custo.

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