A produção industrial brasileira recuou 1,2% em dezembro de 2025 na comparação com novembro, já com ajuste sazonal, segundo dados divulgados hoje, terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que o esperado pelo mercado, cuja mediana das estimativas apontava para uma queda de 0,5%, com intervalo entre recuo de 2,1% e alta de 0,1%.
Na comparação com dezembro de 2024, a indústria registrou alta de 0,4%, também abaixo da expectativa mediana de crescimento de 0,8%. No acumulado de 2025, o setor avançou 0,6%, frustrando novamente as projeções do mercado, que indicavam alta próxima de 0,8%.
Apesar do desempenho fraco no fim do ano, a indústria opera atualmente 0,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Ainda assim, o setor permanece 16,3% abaixo do pico histórico, alcançado em maio de 2011, evidenciando a dificuldade estrutural de recuperação do parque industrial brasileiro.
Principais destaques da produção industrial
A retração de dezembro foi disseminada. As quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados apresentaram queda na produção.
Entre os principais impactos negativos:
- setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que despencou 8,7%;
- produtos químicos (-6,2%);
- metalurgia (-5,4%).
- equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,2%);
- produtos têxteis (-9,0%);
- produtos de minerais não metálicos (-6,6%);
- máquinas e equipamentos (-4,6%);
- confecção de vestuário (-4,1%).
Entre as grandes categorias, os setores mais sensíveis ao ciclo econômico foram os mais afetados. A produção de bens de capital caiu 8,3%, interrompendo três meses consecutivos de alta, enquanto os bens de consumo duráveis recuaram 4,4%, aprofundando a queda já observada em novembro.
Os segmentos de bens intermediários (-1,1%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) também registraram retração no mês, reforçando o caráter generalizado da desaceleração.
Farmacêuticos e petróleo evitam queda maior
Do lado positivo, apenas oito atividades registraram crescimento em dezembro. O principal destaque foi o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que avançou 5,4%, interrompendo uma sequência de três meses de queda.
Também apresentaram desempenho positivo os segmentos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+6,7%) e de indústrias extrativas (+0,9%), que ajudaram a suavizar parcialmente a perda do índice geral.
Produção industrial: crescimento anual é concentrado
Na comparação com dezembro de 2024, o avanço de 0,4% da produção industrial foi sustentado por poucos setores. As principais contribuições positivas vieram das indústrias extrativas (+7,0%), produtos alimentícios (+5,5%) e, novamente, dos farmoquímicos e farmacêuticos (+28,6%).
Outros setores com crescimento relevante foram manutenção e reparação de máquinas (+9,7%), produtos diversos (+11,0%), borracha e plástico (+4,7%) e artefatos de couro e calçados (+6,3%).
Em sentido oposto, exerceram maior pressão negativa os segmentos de veículos automotores (-8,0%), produtos químicos (-7,1%) e coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-4,6%).
Entre as grandes categorias econômicas, apenas bens de consumo semi e não duráveis registraram crescimento em relação a dezembro de 2024, com alta de 5,0%, interrompendo oito meses consecutivos de taxas negativas. Já os bens de capital (-7,5%), bens duráveis (-3,5%) e bens intermediários (-0,9%) permaneceram em queda.
Leitura do especialista
O economista Maykon Douglas, destaca que o setor reportou um crescimento nulo a partir da segunda metade do ano passado.
“Esse resultado se deve apenas ao setor extrativo (+4,9% no ano), especialmente à produção de petróleo, visto que a indústria de transformação caiu 0,2% no agregado do ano. Ou seja, o setor industrial tem caminhado em “dois trilhos”, pois a parcela mais sensível às condições de crédito sofre mais com o aperto monetário do BC“, avalia.
Mesmo o ciclo iminente de cortes da taxa Selic não deve ajudar muito o setor no curto prazo, pelo efeito defasado da política monetária e porque este deve ser um ciclo mais cauteloso.
“Portanto, espero que a indústria de transformação continue performando mal nos próximos meses“, destaca.












