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Caged e PNAD: desemprego cai a 5,2% e mercado de trabalho segue aquecido

PNAD mostra menor taxa desde 2012, ocupação recorde e forte avanço da renda; Caged confirma criação líquida de vagas acima do esperado em novembro

Maurílio GoeldnerPor Maurílio Goeldner
30/12/2025

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, o menor nível desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, com efeitos relevantes sobre a dinâmica da renda e da inflação de serviços.

No período, 5,6 milhões de pessoas estavam desocupadas, o menor contingente já registrado pela pesquisa. Para efeito de comparação, o pico histórico ocorreu no trimestre encerrado em março de 2021, no auge da pandemia, quando 14,9 milhões de brasileiros estavam sem trabalho.

Além da queda do desemprego, o número de pessoas ocupadas atingiu 103,2 milhões, novo recorde da série histórica. O nível de ocupação chegou a 59,0%, também o mais alto já registrado pela PNAD Contínua.

Caged confirma força do emprego formal

Os dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho, reforçam o quadro de resiliência do mercado de trabalho. Em novembro, o saldo líquido de emprego formal foi positivo em 85.864 vagas, acima da expectativa do mercado, que apontava para cerca de 79 mil postos.

O resultado sucede a criação líquida de 85.147 vagas em outubro, indicando manutenção do ritmo de geração de empregos com carteira assinada e afastando, por ora, uma desaceleração mais abrupta do mercado de trabalho.

Serviços puxam ocupação e renda acelera

Na leitura da XP, os números da PNAD surpreenderam positivamente. Segundo Rodolfo Margato, economista da casa, as estimativas mensalizadas com ajuste sazonal apontam que a taxa de desemprego teria recuado para próximo de 5% em novembro, nível ainda mais baixo do que o divulgado oficialmente pelo IBGE, que trabalha com trimestres móveis sem ajuste sazonal.

“Observamos sinais fortes e disseminados na ocupação, com alta de 0,4% na população ocupada, especialmente em segmentos de serviços como transporte, armazenagem, comunicação, informação e serviços financeiros”, afirma Margato.

Outro destaque foi a dinâmica dos rendimentos. O rendimento médio habitual avançou 0,7% em novembro frente a outubro e 4,5% na comparação anual, enquanto o rendimento médio efetivo cresceu 0,8% no mês e 3,9% em 12 meses.

Para a XP, o conjunto de dados aponta para uma desaceleração apenas gradual da demanda interna, combinada com restrições na oferta de mão de obra em setores como construção civil, alojamento e alimentação. “Esses fatores culminam em uma dinâmica salarial ainda bastante forte, com crescimento real robusto, quadro que não deve ser revertido tão cedo”, avalia o economista.

A casa projeta taxa de desemprego ao redor de 5,5% no fim de 2025, com viés de baixa, e apenas uma elevação suave para algo próximo de 6% no fim de 2026, ainda abaixo da taxa de equilíbrio da economia.

Mercado aquecido vira ponto de atenção para o BC

Na avaliação de Gustavo Cruz, economista-chefe da RB Investimentos, o resultado também surpreendeu o mercado. “A taxa de 5,2% veio melhor do que o esperado, que era estabilidade em 5,4%, e mostra que o mercado de trabalho segue bastante dinâmico”, afirma.

Cruz destaca não apenas a queda do desemprego, mas também a melhora da renda e o avanço do emprego formal. “Isso é relevante porque, nos últimos anos, houve uma expansão forte do trabalho mais informal, ligado a aplicativos. Agora, vemos crescimento também no emprego com carteira assinada”, diz.

Segundo o economista, parte do avanço do emprego formal está ligada à expansão do setor público, movimento já esperado diante da estratégia do atual governo de ampliar concursos e contratações.

Apesar do quadro positivo no mercado de trabalho, Cruz chama atenção para um paradoxo. “Esse desemprego baixo não se traduz em maior popularidade do governo. A correlação entre queda do desemprego e melhora da inadimplência das famílias se perdeu nos últimos anos”, observa.

Na visão da RB, o nível elevado dos juros, consequência da fragilidade fiscal, pesa sobre o orçamento das famílias. “O parcelado está mais caro, o financiamento está mais caro, e sobra menos renda. No fim, o desemprego baixo não vira popularidade”, conclui.

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Com desemprego historicamente baixo, renda em aceleração e criação consistente de vagas formais, o mercado de trabalho permanece como um vetor de pressão sobre a inflação de serviços, mantendo o tema no radar do Comitê de Política Monetária (Copom).

A leitura predominante entre economistas é que, enquanto não houver uma desaceleração mais clara do emprego e da renda, o Banco Central seguirá cauteloso no início de um eventual ciclo de corte da Selic.

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Créditos: depositphotos.com / Brasilnut

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