Quem sobe a serra fluminense pela BR-040 encontra Petrópolis escondida no vale, com ruas de traçado europeu e canais a céu aberto. A cidade nasceu por decreto imperial em 1843 e ainda guarda a única coleção de palácios habitados por imperadores das Américas.
Como nasceu a cidade serrana planejada por um engenheiro alemão
A história começa em 1822, quando Dom Pedro I passou pela região a caminho de Vila Rica e se encantou com o clima ameno da Mata Atlântica. Oito anos depois, comprou a Fazenda do Córrego Seco por 20 contos de réis, terreno que mais tarde herdaria seu filho.
Foi Dom Pedro II, em 16 de março de 1843, quem assinou o decreto fundador. O projeto urbano coube ao engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler, que trouxe imigrantes germânicos para levantar a cidade e desenhou o traçado em quadrículas regulares. A história completa do palácio e da fundação está no acervo do Museu Imperial, vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus.

O que ver no Museu Imperial e nos palácios da Cidade Imperial?
O centro histórico concentra os principais palácios em um raio de poucas quadras, todos percorríveis a pé. As construções vão do neoclássico ao art déco e abrigam acervos raros do período monárquico brasileiro.
- Museu Imperial: antigo palácio de verão construído entre 1845 e 1862. Reúne a coroa de Dom Pedro II com cerca de 640 brilhantes, o cetro imperial de 2,51 kg e a pena usada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea.
- Palácio de Cristal: estrutura de ferro e vidro de 1884, presente do Conde d Eu à Princesa Isabel. Hoje recebe exposições e eventos culturais.
- Palácio Quitandinha: inaugurado em 1944 como antigo cassino, abriga um dos maiores salões de festas da América Latina.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: igreja neogótica que guarda os túmulos de Dom Pedro II, da imperatriz Teresa Cristina e da Princesa Isabel.
- Casa de Santos Dumont: a Encantada, residência onde o pai da aviação viveu em Petrópolis, com móveis projetados pelo próprio inventor.
A lista completa de atrativos está disponível na Secretaria de Turismo de Petrópolis.
Por que Petrópolis é considerada o berço da cerveja no Brasil?
A herança alemã também explica o título de Capital Estadual da Cerveja, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio em 2017. A cidade reúne mais de 20 cervejarias artesanais e uma fábrica histórica que nunca parou de produzir.
A Cervejaria Bohemia foi fundada em 1853 por um imigrante alemão e é considerada a primeira do país. A antiga sede, no centro histórico, funciona hoje como museu interativo com tour cervejeiro e degustação ao final. Mais informações no Circuito Cervejeiro oficial, que ainda inclui as marcas Odin, Duas Torres, Sampler Brew House e Dr Duranz no entorno do Palácio de Cristal.

O que comer na herança alemã da serra fluminense?
A gastronomia segue o calendário das festas e o frio das noites de altitude. Pratos típicos da imigração germânica convivem com receitas italianas e portuguesas, e os distritos rurais oferecem o cardápio caipira da serra.
- Pernil com chucrute: prato âncora das casas alemãs do centro, servido com batata e pão preto caseiro.
- Fondue de queijo: tradição das noites frias, oferecida em dezenas de restaurantes durante o festival de inverno.
- Choconhaque: chocolate quente com conhaque, vendido nas barraquinhas da Bauernfest e em cafés do centro.
- Cuca alemã: bolo recheado com frutas e farofa de canela, herdado das famílias colonas.
- Truta da serra: peixe criado nos rios frios dos distritos, servido grelhado ou na manteiga com amêndoas.
Descubra a Cidade Imperial com este roteiro de dois dias do canal Rolê Família. O vídeo foca nas atrações essenciais de Petrópolis, como o Museu Imperial, a Cervejaria Bohemia e a grandiosidade do Palácio Quitandinha. Ideal para quem quer planear uma viagem com história, preços e dicas gastronómicas:
Quando ir e o que esperar do clima de montanha?
O inverno seco é a alta temporada da Cidade Imperial. No verão, as chuvas são frequentes na serra, mas as manhãs costumam abrir com sol e neblina baixa nos vales.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Petrópolis pela serra fluminense?
A cidade fica a 68 km do Rio de Janeiro, com acesso direto pela BR-040 em cerca de uma hora e quinze de carro. O trajeto sobe a serra entre paredões de Mata Atlântica e termina no vale do centro histórico.
Quem prefere transporte coletivo encontra ônibus regulares saindo do Terminal Novo Rio, com partidas frequentes ao longo do dia. O aeroporto mais próximo é o do Galeão, a aproximadamente 80 km, e a maioria dos atrativos do centro fica a até 15 minutos de caminhada entre si.
Suba a serra e descubra a única cidade imperial das Américas
Petrópolis combina um capítulo raro da história brasileira, traçado urbano europeu e tradição cervejeira viva há quase dois séculos. Poucos destinos no país reúnem palácios habitados por imperadores, cervejaria centenária e clima de montanha a tão pouca distância da capital fluminense.
Você precisa subir a serra e conhecer Petrópolis para entender por que a Cidade Imperial ainda tem cheiro de corte europeia a pouco mais de uma hora do Rio.

