Entre os séculos XVIII e XIX, tropeiros vindos de todas as partes do Brasil percorriam milhares de quilômetros para negociar seus animais em uma única cidade do interior paulista. Sorocaba, localizada a 100 quilômetros de São Paulo, era o destino final dessas longas jornadas e abrigava a Feira de Muares, um evento que em uma só edição chegou a movimentar a impressionante marca de 200 mil animais. Hoje, a cidade que se desenvolveu a partir do comércio de mulas tem mais de 750 mil habitantes, conta com parques espalhados por toda a sua área e possui um zoológico que é tido como referência em toda a América Latina.
De simples ponto de parada a capital da cultura tropeira
O nome Sorocaba tem sua origem no tupi e significa “terra rasgada”. A vila foi fundada em 1661 pelo bandeirante Baltazar Fernandes e cresceu às margens do Rio Sorocaba, em um cruzamento de antigas rotas indígenas que, mais tarde, se transformariam nos caminhos por onde passavam as tropas. No ano de 1733, o português Cristóvão Pereira de Abreu trouxe a primeira grande leva de mulas da região sul, abrindo assim a estrada que faria a ligação entre Curitiba e a cidade. A partir desse momento, a Feira de Muares passou a acontecer todos os anos, por quase 150 anos seguidos, entre 1750 e 1897.
A herança desse período está presente nas ruas estreitas que ainda existem no centro, no sotaque carregado de seus moradores, no feijão tropeiro que se tornou um prato típico e no Casarão do Brigadeiro Tobias, que atualmente funciona como um museu e centro de estudos dedicado ao tropeirismo. Espalhadas pela cidade, placas de cor vermelha sinalizam o traçado do antigo Caminho das Tropas, a rota pela qual as mulas atravessavam o centro em direção a São Paulo.

O dia a dia em uma cidade de 750 mil habitantes que fica no interior
Sorocaba consegue combinar uma estrutura típica de cidade grande com um ritmo de vida que ainda lembra o interior. Seu IDH é de 0,798, um valor que está acima da média nacional, e sua economia se apoia em um parque industrial que conta com mais de 2 mil fábricas, incluindo plantas de empresas como Toyota, ZF e Schaeffler. Só no ano de 2024, o setor exportou a quantia de US$ 2,2 bilhões. Instituições de ensino superior como a Universidade de Sorocaba (Uniso), a Facens e um campus da UFSCar também atraem um grande número de estudantes de toda a região.
A malha de ciclovias da cidade conecta os bairros residenciais aos parques e às zonas comerciais. O custo de vida é mais acessível do que o da capital, e bairros como Campolim, Jardim Europa e Além Ponte oferecem desde condomínios de alto padrão até ruas bastante arborizadas com um comércio local bem estruturado.
Os parques que fazem de Sorocaba uma cidade tão arborizada
A cidade possui dezenas de parques que estão distribuídos por todas as suas regiões. Os mais conhecidos concentram opções como ciclovias, pistas de caminhada, playgrounds e áreas muito agradáveis para a realização de piqueniques.
- Zoológico Quinzinho de Barros: 150 mil m² com lago, mata atlântica e cerca de 1.200 animais de 300 espécies, 70% da fauna brasileira. Recebe mais de 600 mil visitantes por ano e possui classificação “A” do Ibama.
- Parque das Águas: 162 mil m² com lago central, anfiteatro, ciclovia, pista de skate e um dos maiores palcos ao ar livre da cidade. Aberto 24 horas.
- Jardim Botânico Irmãos Villas-Bôas: inaugurado em 2014, com 70 mil m² de fragmentos de cerrado e mata atlântica, voltado à pesquisa e à educação ambiental.
- Parque Natural Chico Mendes: 145 mil m² de área verde com trilhas entre eucaliptos e remanescentes de mata nativa.
Quem busca lazer no interior de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TADI viagem, que conta com mais de 46 mil visualizações, onde Tati e Diogo mostram roteiros essenciais por Sorocaba, incluindo o Jardim Botânico e o Parque das Águas:
A cidade que se desenvolveu no lombo das mulas
Sorocaba consegue manter aquele equilíbrio raro entre uma economia industrial muito forte, uma quantidade generosa de áreas verdes e uma identidade cultural que não se apagou com a chegada do asfalto. As ruas de seu centro ainda seguem o mesmo traçado por onde um dia passaram as tropas de animais, e o feijão que alimentava os viajantes daquela época segue presente no prato dos moradores atuais.

