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A cidade mais fria do mundo: o vilarejo onde o termômetro já marcou -71°C, os carros nunca desligam e 500 almas sobrevivem onde a vida parece impossível

Vitor Por Vitor
14/04/2026
Em Cidades

A poucos quilômetros do Círculo Polar Ártico, no extremo leste da Sibéria, cerca de 500 pessoas acordam todos os invernos sob temperaturas que caem rotineiramente abaixo dos -50 °C. Oymyakon é o assentamento humano permanentemente habitado mais frio da Terra, e seu nome, de forma um tanto irônica, significa “água que não congela”.

Por que Oymyakon é tão frio se fica abaixo do Círculo Polar?

O vilarejo está localizado a aproximadamente 350 quilômetros ao sul do Círculo Polar Ártico, na República de Sakha (também conhecida como Yakútia), mas sua posição geográfica funciona como uma armadilha térmica quase perfeita. A estação meteorológica local encontra-se a 750 metros de altitude, completamente cercada por montanhas que alcançam os 1.100 metros. Essas cadeias rochosas atuam como uma grande bacia fechada: o ar extremamente gelado desce e fica acumulado no fundo do vale, sem que os ventos de temperaturas mais amenas consigam penetrar.

Estudos recentes mostram que, na região, as temperaturas durante o inverno chegam a subir até 10 °C à medida que se ganha altitude. Isso quer dizer que os picos das montanhas ao redor são consideravelmente mais “amenos” do que o fundo do vale onde os moradores residem. No mês de janeiro, a temperatura média diária fica por volta de -46 °C, e o sol dá as caras por pouco mais de quatro horas por dia.

Oymyakon é o assentamento humano permanente mais frio da Terra

A marca histórica que virou um monumento na praça da cidade

No dia 6 de fevereiro de 1933, a estação meteorológica de Oymyakon registrou a temperatura de -67,7 °C. O Guinness World Records reconhece esse valor como a temperatura mais baixa já aferida em um local habitado por seres humanos, e também a mais baixa de todo o Hemisfério Norte fora dos limites da Groenlândia. Na praça central do vilarejo, um monumento que exibe a estátua de um touro feito de concreto celebra outro registro, este de caráter não oficial: -71,2 °C, uma medição que teria sido feita em janeiro de 1924.

O contraste térmico torna esse dado ainda mais surpreendente. No dia 28 de julho de 2010, os termômetros locais marcaram incríveis 34,6 °C positivos. Isso faz com que a amplitude térmica absoluta de Oymyakon atinja impressionantes 102,3 °C, uma das maiores variações desse tipo já documentadas em todo o planeta. De acordo com dados que foram compilados pela Wikipedia, existem apenas outros cinco locais no mundo que já registraram uma amplitude térmica superior a 100 °C.

Como é possível sobreviver em um lugar onde o diesel congela dentro do tanque?

A rotina diária em Oymyakon exige uma série de adaptações que mais parecem saídas de um livro de ficção. Os veículos precisam permanecer com o motor ligado de forma ininterrupta durante todo o período do inverno: desligar o carro significa correr o sério risco de que tanto o combustível quanto o óleo lubrificante congelem dentro das tubulações. As casas são construídas sobre estacas que são cravadas profundamente no permafrost, que é o solo que se mantém permanentemente congelado e que pode atingir centenas de metros de profundidade. Sem essa elevação, o calor gerado no interior das residências derreteria a camada superficial do solo, o que desestabilizaria toda a estrutura da edificação.

Um sistema de encanamento convencional é completamente inviável nesse cenário. Muitos dos moradores ainda precisam utilizar banheiros que ficam do lado de fora de casa, mesmo quando a temperatura está em -50 °C. A água que é destinada ao consumo vem de grandes blocos de gelo que são cortados diretamente do rio e, depois, derretidos dentro das casas. As escolas do vilarejo funcionam em seu horário normal, a não ser que os termômetros cruzem a barreira dos -55 °C; quando isso acontece, as aulas são oficialmente suspensas.

 

A alimentação rica em gordura que ajuda a manter o corpo aquecido

A base da alimentação nesse remoto vilarejo siberiano é constituída quase que exclusivamente por proteínas e gorduras de origem animal. A prática de cultivar vegetais é simplesmente impossível de se realizar sobre o permafrost. A carne de rena e a carne de cavalo dominam a maior parte das refeições, sempre acompanhadas de laticínios produzidos localmente, como o hayak, que é uma manteiga de consistência bastante densa, e o kyorchekh, uma espécie de sorvete rústico feito à base de leite batido que é misturado com frutas silvestres da região e deixado para congelar apenas parcialmente.

O prato mais representativo e emblemático de Oymyakon é a stroganina, que pode ser descrita como uma versão siberiana do sashimi. Peixes como o esturjão e o cisco do Ártico são pescados sob a espessa camada de gelo do Rio Indigirka, abatidos com um único golpe certeiro e imediatamente congelados, sempre mantidos em uma posição bem reta. Depois desse processo, eles são raspados em lâminas bem finas, que preservam uma valiosa camada de gordura subcutânea que é extremamente rica em ômega-3.

Oymyakon é o assentamento humano permanente mais frio da Terra // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Leia também: Na Suíça, os pobres vivem em “favelas” que oferecem uma qualidade de vida muito superior à de muitas cidades do mundo inteiro

A origem do nome do vilarejo e a água que não congela

O nome Oymyakon tem sua origem na língua do povo Even e remete justamente à ideia de “água que não congela”. A explicação para isso está nas fontes termais subterrâneas que existem na região e que conseguem manter alguns trechos do rio completamente descongelados, mesmo quando o ar ambiente atinge marcas de -60 °C. A enorme pressão que é exercida pelo permafrost empurra a água que está no subsolo para a superfície, criando assim pequenos bolsões que nunca chegam a se solidificar.

Foram exatamente essas nascentes de água líquida que levaram os pastores de renas a começar a utilizar aquele local como um ponto de parada sazonal, lá no começo do século XX. Os animais tinham uma necessidade vital de beber água em estado líquido durante o rigoroso inverno, e as fontes termais ofereciam exatamente aquilo de que eles precisavam. Foi o próprio governo soviético que, nas décadas seguintes, incentivou a fixação permanente dessas famílias na região, transformando o que antes era apenas um acampamento temporário no vilarejo que existe até os dias de hoje.

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Oymyakon é o assentamento humano permanente mais frio da Terra

A Estrada dos Ossos que liga Oymyakon ao resto do mundo

A principal rota que permite o acesso à região é a Rodovia Kolyma (identificada como R504), que ficou tristemente conhecida pelo apelido de Estrada dos Ossos. Seus mais de 2.000 quilômetros de extensão, que ligam as cidades de Yakutsk e Magadan, foram construídos com a mão de obra de prisioneiros do sistema soviético de campos de trabalho forçado, entre os anos de 1932 e 1953. De acordo com estimativas que se baseiam em registros documentais analisados pela Wikipedia, acredita-se que mais de 125 mil pessoas tenham morrido durante o período de construção dessa estrada. Os corpos de muitos desses trabalhadores eram simplesmente enterrados sob o próprio leito da rodovia, uma vez que a dureza do permafrost tornava completamente impraticável a tarefa de cavar sepulturas.

Hoje em dia, a Kolyma é uma estrada federal cuja superfície é composta basicamente de cascalho. Durante o inverno, o risco de uma simples pane mecânica pode se tornar fatal: no ano de 2020, um jovem motorista acabou morrendo de frio após ter seguido inadvertidamente uma rota que já estava abandonada e que foi sugerida por seu aparelho de GPS. Existe uma lei local que proíbe expressamente que um motorista passe por um veículo que esteja parado no acostamento sem antes verificar se o seu ocupante está precisando de algum tipo de socorro.

Conheça o lugar onde o frio redefine os limites da vida

Oymyakon não é apenas um ponto extremo localizado no mapa climático do planeta. É a prova mais concreta de que as comunidades humanas são capazes de se organizar, de criar toda uma cultura própria e de manter vivas as suas tradições em um ambiente onde praticamente tudo parece conspirar contra a sua permanência. Entre fontes de águas termais que desafiam o gelo, pratos típicos que só podem existir em condições de frio absoluto e uma estrada que foi erguida sobre uma história de contornos trágicos, o pequeno vilarejo siberiano nos oferece uma lição silenciosa e profunda sobre a capacidade de adaptação.

Se você tem o desejo de compreender até onde vai a habilidade do ser humano de habitar os cantos mais inóspitos do nosso mundo, Oymyakon é, sem dúvida, o endereço mais radical que se pode imaginar para se buscar essa resposta.

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