No norte do Espírito Santo, a 220 km de Vitória, São Mateus guarda 482 anos de história, 43 km de litoral e um título que poucos lugares no mundo conseguem somar. A ilha de Guriri, distrito mais visitado do município, é a única praia do Atlântico Sudoeste onde a tartaruga-de-couro, maior das sete espécies do planeta, ainda volta para desovar todos os anos.
Por que esta cidade reúne tartarugas gigantes e ruas do século XVIII?
A combinação rara nasce da geografia. O litoral mateense fica numa faixa de praias largas, areia clara e mar morno, condições ideais para a desova. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o norte do Espírito Santo abriga a única área de desova regular da tartaruga-de-couro no Atlântico Sudoeste, espécie que pode ultrapassar 2 metros e 600 kg.
Os ovos chegam à areia entre setembro e março. Na temporada mais recente, a equipe local registrou cerca de 400 ninhos, o maior número desde o início do monitoramento sistemático na região, conforme acompanhamento do Projeto TAMAR em parceria com o ICMBio.
A herança colonial divide cena com a natureza. A povoação começou em 1544, quando portugueses fugiram dos ataques indígenas em Vila Velha e subiram a costa, fundando um arraial às margens do Rio Cricaré.

Vale a pena viver no município mais antigo do norte capixaba?
Para quem busca uma cidade média com mar perto de casa, a resposta tende a ser sim. O portal oficial da Prefeitura de São Mateus registra o crescimento contínuo da economia, ligada à agricultura, fruticultura, pecuária e exploração de petróleo desde a década de 1960.
O destino é considerado o oitavo mais populoso do estado, com cerca de 134 mil habitantes em 2025, e a 8ª posição entre os municípios capixabas mais populosos. A densidade demográfica gira em torno de 53 habitantes por km², o que se traduz em ruas tranquilas, áreas verdes acessíveis e um centro comercial resolvido a pé.
Outro dado que reforça a vocação econômica do lugar vem do campo: São Mateus é o maior produtor nacional de pimenta-do-reino, segundo reportagem da Folha Vitória. A produção rural ajuda a sustentar uma economia diversificada e fortalece os pequenos negócios da região.

Reconhecimento patrimonial e marcos históricos do destino
O Sítio Histórico do Porto de São Mateus foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1976, com inscrição no Livro do Tombo Histórico. O conjunto reúne casarões coloniais do final do século XVIII às margens do antigo cais que movimentou farinha de mandioca, café, açúcar e madeira.
Em 2025, o Governo do Estado entregou as obras de requalificação urbana do casario, com investimento divulgado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) de cerca de R$ 10,9 milhões em recursos do Funcultura. A mesma fonte aponta que ali, em 1856, foi apreendido o último carregamento clandestino de africanos da costa brasileira, episódio raro nos arquivos nacionais. A Igreja Velha, projetada para mais de 300 metros de comprimento e nunca concluída, é o cartão postal da cidade desde o século XIX.
O que fazer em São Mateus além do centro histórico?
O litoral concentra a maior parte das atrações, com praias urbanas e cantos quase desertos a poucos minutos do centro. Antes da praia, vale uma volta pelo casario tombado. Entre os passeios mais procurados, destacam-se:
- Praia de Guriri: principal balneário do município, com águas mornas e claras, infraestrutura completa de bares e pousadas, segundo o guia turístico oficial da prefeitura.
- Base do Projeto TAMAR em Guriri: centro de visitantes com tanques, sala de exposição e solturas de filhotes na temporada, em funcionamento desde outubro de 1988.
- Sítio Histórico do Porto: casarões dos séculos XVIII e XIX restaurados, museu e vista para o Rio Cricaré.
- Igreja Velha: ruínas do templo erguido com pedras de lastro de navios, óleo de baleia e cal, paralisado em 1853.
- Praia de Barra Nova: vila de pescadores onde o Rio Mariricu encontra o mar, ideal para passeios de barco e banhos de rio.
- Praia de Urussuquara: trecho mais isolado, com ondas para surfe e paisagens de mata atlântica preservada.
A culinária local mistura raízes capixabas, baianas e indígenas, com frutos do mar frescos vindos direto dos pescadores. Entre os pratos mais procurados, destacam-se:
- Moqueca capixaba: peixe fresco cozido em panela de barro com urucum, tomate, cebola e coentro, sem leite de coco nem dendê.
- Caranguejo de Barra Nova: prato símbolo do balneário de Campo Grande, celebrado todo ano no Festival do Caranguejo, organizado pela prefeitura.
- Casquinha de siri: receita servida em quase todos os restaurantes da orla, com siri desfiado e farofa de azeite de dendê.
- Torta capixaba: clássica na semana santa, com bacalhau, palmito, ostras, siri e ovos batidos.
Quem deseja descobrir praias tranquilas, história riquíssima e paisagens capixabas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Família LENSO, que conta com mais de 1.160 visualizações, onde Quinho e Micaele mostram o que fazer e a cultura em São Mateus, Espírito Santo:
Qual a melhor época para visitar São Mateus?
O clima do destino é tropical quente, com verão chuvoso e inverno seco e ameno. A escolha da temporada depende do estilo de viagem: praia agitada, exploração histórica ou observação de fauna. Confira as estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à terra do Padre Anchieta
O acesso principal ao município é pela BR-101 Norte, em um trajeto de cerca de 220 km saindo de Vitória, com tempo médio de viagem de 3h30 a 4h de carro. Há linhas regulares de ônibus que partem da rodoviária da capital e chegam ao terminal mateense em pouco mais de 4 horas. Para circular entre o centro e a Ilha de Guriri, são 12 km por estrada pavimentada, com ônibus circulares saindo da rodoviária local.
Vá conhecer essa joia do norte capixaba
O destino reúne o que pouca cidade brasileira oferece em um só pacote: ruas coloniais tombadas, mar morno, gastronomia de panela de barro e a presença rara da maior tartaruga marinha do mundo. É uma viagem no tempo emoldurada por dunas, manguezais e o som do Rio Cricaré.
Você precisa visitar São Mateus e sentir a calma de uma cidade que carrega quase cinco séculos de história sem perder o ritmo do litoral.

