No Baixo Sul da Bahia, a cerca de 300 km de Salvador por terra, fica um dos dois únicos municípios-arquipélago do Brasil. Cairu reúne 26 ilhas em uma área de pouco mais de 450 km², entre elas a famosa Tinharé, onde está Morro de São Paulo, e a preservada Boipeba. Pouco se sabe é que a sede do município, a Ilha de Cairu, guarda o conjunto considerado a primeira manifestação do barroco arquitetônico do país.
A vila do século XVII que virou o coração do arquipélago
O destino baiano foi criado por Carta Régia em 1608, desmembrado da Capitania de Ilhéus, e elevado à categoria de vila em 1610 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário do Cairu. Habitada originalmente pelos índios Aimorés, a região começou a ser colonizada no século XVI, quando Francisco Romero, administrador da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, fundou a primeira vila do arquipélago em 1536.
O nome vem do tupi e está ligado à expressão “aracajuru”, traduzida por antigos cronistas como “casa do sol”. A cidade-sede fica na ilha que dá nome ao município, separada do continente apenas por um estreito canal de água. Em 1859, o local recebeu a visita da Família Imperial, com Dom Pedro II percorrendo as ilhas a caminho de outras vilas do litoral baiano.

O conjunto que inaugurou o barroco arquitetônico brasileiro
Em 25 de agosto de 1654, foi lançada a pedra fundamental do Convento e Igreja de Santo Antônio, em terrenos doados por Bento Salvador e sua esposa, Izabel Gomes. A obra levou cerca de um século para ser concluída. Segundo registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a fachada da igreja é considerada a primeira manifestação do barroco arquitetônico do Brasil, modelo que foi reproduzido em vários outros templos pelo país.
O complexo foi tombado pelo IPHAN em 1941 e abriga sacristia e claustro com azulejos do tipo tapeçaria e figurados dos séculos XVII e XVIII. A torre recuada, revestida de azulejos policromados, ainda guarda o ar imponente que fazia da vila a residência dos ouvidores e corregedores da câmara de Ilhéus no auge da economia açucareira.

Quais atrações compõem o roteiro pelas ilhas?
O município reúne história colonial na ilha-sede e algumas das praias mais procuradas da costa nordestina. A maior parte das ilhas só pode ser alcançada de barco, o que faz da travessia parte do passeio.
- Morro de São Paulo: o vilarejo mais famoso, na Ilha de Tinharé, com cinco praias numeradas e trânsito de veículos proibido.
- Fortaleza de Tapirandú: construída em 1631 em Morro de São Paulo, uma das maiores fortificações da costa brasileira.
- Ilha de Boipeba: integrada à Área de Proteção Ambiental (APA) das Ilhas de Tinharé e Boipeba, com vilas rústicas como Moreré e o Rio do Inferno.
- Convento de Santo Antônio: na sede do município, marco do barroco brasileiro, parada obrigatória do passeio Volta à Ilha.
- Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário: construída em 1610, contemporânea da elevação da vila.
- Garapuá e Gamboa: vilas de pescadores em Tinharé, com piscinas naturais na maré baixa.
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Cozinha do dendê e a herança da pesca artesanal
A culinária local segue a tradição da Costa do Dendê, com peixes e mariscos da própria baía preparados em receitas afro-baianas. As mesas dos restaurantes das ilhas servem ingredientes pescados na manhã do mesmo dia.
- Moqueca de peixe: cozida em panela de barro com leite de coco, dendê, tomate e pimentão.
- Caranguejo: tirado dos manguezais das ilhas, servido com farinha e limão.
- Bobó de camarão: prato baiano com aipim cozido, leite de coco e dendê.
- Casquinha de siri: petisco servido nos quiosques de praia em Morro e Boipeba.
Qual a melhor época para visitar o arquipélago?
O clima é tropical úmido o ano todo, com temperaturas estáveis entre 22°C e 30°C. A estação mais seca vai de setembro a fevereiro, e o período chuvoso concentra-se entre abril e julho, com média mensal de 151 mm em abril.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar saindo de Salvador?
O acesso mais usado é por catamarã ou lancha rápida que saem do Terminal Náutico, na capital baiana, com travessia de 2h a 2h30 até Morro de São Paulo. De carro, são cerca de 300 km via balsa em Bom Despacho ou pelo continente até Valença, ponto de embarque para a sede do município e para as demais ilhas. Voos panorâmicos de pequenos aviões também conectam Morro de São Paulo a Salvador em pouco mais de 20 minutos.
Conheça o arquipélago que guarda o primeiro barroco brasileiro
O destino baiano reúne 26 ilhas, séculos de história colonial, uma das fachadas mais importantes da arte religiosa do país e algumas das praias mais bonitas do Nordeste. É a parada certa para quem quer ir além de Morro de São Paulo e descobrir a alma do Baixo Sul baiano.
Você precisa atravessar de barco para a sede do município, entrar no Convento de Santo Antônio e perceber por que Cairu esconde um dos capítulos mais importantes da arquitetura do Brasil.

