A última semana de julho reúne decisões de política monetária, indicadores de inflação e atividade econômica e uma sequência de balanços corporativos que pode definir o comportamento dos mercados globais no início de agosto.
Entre 27 e 31 de julho, investidores acompanharão as reuniões do Federal Reserve (Fed), do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco do Japão (BoJ). A agenda também inclui o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, o índice de preços PCE, dados da Zona do Euro e da China e os resultados de quatro das chamadas “sete magníficas” da Bolsa americana.
No Brasil, o mercado estará atento ao IPCA-15, ao IGP-M, aos números do mercado de trabalho e das contas públicas, além da rolagem cambial e da formação da taxa Ptax.
“Última semana do mês de julho, semana decisiva, com muitos eventos, agenda macroeconômica bastante intensa e agenda corporativa também bastante intensa”, afirma Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do programa Pré-Market, da BM&C News.
Federal Reserve concentra as atenções dos mercados
O principal evento da semana ocorre na quarta-feira (29), com a decisão de juros do Federal Reserve. Além do resultado da reunião, investidores analisarão o comunicado da autoridade monetária e a entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh.
Será a segunda reunião comandada por Warsh desde que assumiu a presidência da instituição. O mercado buscará indicações sobre o peso da inflação, do crescimento econômico e das condições financeiras nas próximas decisões de política monetária.
Na quinta-feira (30), serão conhecidos o PIB anualizado dos Estados Unidos no segundo trimestre, os dados de renda e gastos pessoais e o PCE, índice de inflação utilizado pelo Fed como uma de suas principais referências.
“Nos Estados Unidos, os destaques são o PIB e o PCE, que traz uma medida preferida pelo Fed quando avalia a situação e o atual momento da economia americana”, explica Alves.
A combinação dos indicadores com a comunicação do banco central poderá alterar as expectativas para os juros americanos. Um crescimento mais forte ou uma inflação persistente pode limitar o espaço para cortes, enquanto sinais de desaceleração podem reforçar a perspectiva de flexibilização monetária.
A agenda americana ainda inclui a prévia das encomendas de bens duráveis, a balança comercial, a confiança do consumidor medida pelo Conference Board e o índice de confiança da Universidade de Michigan.
Decisões de BoE e BoJ completam agenda de bancos centrais
O Banco da Inglaterra também anunciará sua decisão de juros na quinta-feira. A reunião ocorre em meio às discussões sobre o ritmo da atividade econômica, o comportamento dos preços e as condições do mercado de trabalho britânico.
No Japão, investidores acompanharão dados de inflação, desemprego, produção industrial e vendas no varejo, além da decisão do Banco do Japão.
O mercado japonês ganhou espaço no radar global diante dos movimentos dos rendimentos dos títulos públicos e do iene. Mudanças na política monetária do BoJ podem afetar operações internacionais financiadas pela moeda japonesa e provocar ajustes nos fluxos globais de capital.
“Banco Central dos Estados Unidos, Banco da Inglaterra e Banco do Japão vão concentrar as atenções no final da semana”, destaca Francisco Alves.
Na Zona do Euro, serão divulgados o PIB do segundo trimestre, a taxa de desemprego de junho e a prévia da inflação ao consumidor de julho. Os dados ajudarão a medir o ritmo da economia europeia e poderão influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central Europeu.
IPCA-15, emprego e Ptax movimentam o mercado brasileiro
No Brasil, a agenda começa nesta segunda-feira (27) com o Boletim Focus, que reúne as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.
Na terça-feira (28), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA-15 de julho. O indicador funciona como uma prévia da inflação oficial e será acompanhado em busca de sinais sobre preços de serviços, alimentos e itens administrados.
Também será apresentado o balanço de pagamentos de junho, com informações sobre as transações do Brasil com o exterior e o fluxo de investimentos.
Na quinta-feira (30), a Fundação Getulio Vargas divulgará o IGP-M de julho. Na sexta-feira, a agenda será concentrada nos dados do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua e o resultado do Caged.
O Banco Central também apresentará o resultado primário do setor público consolidado. Os números serão analisados em meio às discussões sobre a trajetória das contas públicas e da dívida brasileira.
O último pregão do mês ainda terá a rolagem cambial e a formação da taxa Ptax, referência utilizada na liquidação de contratos de dólar que vencem no início de agosto.
“A formação da taxa Ptax será importante para a liquidação dos contratos cambiais que vencem no começo de agosto. É um movimento relevante para o mercado de câmbio”, observa Alves.
Além dos indicadores econômicos, pesquisas eleitorais e outros acontecimentos do cenário político brasileiro continuarão no radar dos investidores.
China divulga PMIs oficiais
Na China, a semana começa com a divulgação dos lucros industriais de junho. Na quinta-feira, serão apresentados os índices oficiais de gerentes de compras, os PMIs de julho.
Os indicadores mostrarão o desempenho dos setores industrial e de serviços e poderão influenciar as expectativas sobre a demanda chinesa por commodities.
Os dados têm impacto direto sobre mercados como minério de ferro, petróleo e metais, além de empresas brasileiras com exposição à economia chinesa.
Microsoft, Meta, Apple e Amazon divulgam resultados
A temporada de balanços também será um dos principais vetores dos mercados americanos. Quatro das sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos apresentarão seus números durante a semana.
Microsoft e Meta divulgarão seus resultados na quarta-feira. Apple e Amazon apresentarão os balanços na quinta-feira.
“Teremos quatro das sete magníficas divulgando seus balanços: Microsoft, Meta, Apple e Amazon”, ressalta Francisco Alves.
Além dos resultados financeiros, investidores estarão atentos às projeções das companhias, aos investimentos em inteligência artificial, ao desempenho dos serviços de computação em nuvem e às perspectivas para publicidade digital, comércio eletrônico e vendas de dispositivos.
Como essas empresas possuem participação relevante nos principais índices acionários americanos, oscilações nos papéis podem afetar o S&P 500 e o Nasdaq.
Na B3, os destaques da temporada de resultados incluem Usiminas, Vale, Santander Brasil e Ambev, além de outras companhias com divulgação prevista ao longo da semana.
Petróleo sobe e Nasdaq recua antes da agenda decisiva
Os mercados chegam à última semana de julho após uma forte valorização do petróleo. O WTI acumulou alta de 9,2% na semana, enquanto o contrato do Brent para setembro avançou 9,85%.
O ouro encerrou o último pregão a US$ 4.070,80 por onça-troy, com ganho semanal de 1,3%. A prata subiu 4,6% no período, para US$ 58,906 por onça-troy. Na China, o minério de ferro negociado em Dalian recuou 2,3% na semana.
No mercado acionário, o Ibovespa avançou 0,19%, enquanto o dólar comercial caiu 0,59%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 0,38%, o S&P 500 perdeu 0,61% e o Nasdaq caiu 2,13%.
O índice de volatilidade VIX encerrou aos 18,58 pontos, com queda aproximada de 4,5%, em meio ao alívio das tensões geopolíticas.
Apesar da redução do indicador de volatilidade, a sequência de decisões de juros, indicadores econômicos e balanços de grandes empresas poderá provocar novos ajustes nas bolsas, nos juros e no câmbio.
Estrangeiros mantêm fluxo positivo para a B3
Os investidores estrangeiros registraram entrada líquida de R$ 278 milhões na B3 em 22 de julho. No acumulado do mês, o saldo está positivo em R$ 4,6 bilhões. Em 2026, a entrada alcança R$ 38,5 bilhões.
Os investidores institucionais apresentaram entrada de R$ 136,8 milhões em 22 de julho, mas acumulam retirada de R$ 7,8 bilhões no mês e saída líquida de R$ 39,7 bilhões no ano.
O comportamento do capital estrangeiro durante a semana dependerá da comunicação do Fed, da reação aos indicadores americanos e da percepção sobre o risco doméstico.
Com três decisões de bancos centrais, dados de crescimento e inflação e balanços de algumas das maiores empresas do mundo, os últimos pregões de julho deverão testar as expectativas construídas pelos investidores para o segundo semestre.













