A última semana de junho começa com os mercados atentos aos desdobramentos das decisões recentes de bancos centrais e a uma nova bateria de indicadores de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho. No Brasil, os destaques serão a ata do Copom, o IPCA-15 e a PNAD Contínua. Nos Estados Unidos, o foco estará no deflator do PCE, principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, além da revisão do PIB do primeiro trimestre.
A semana sucede uma rodada relevante de decisões de política monetária. O Banco Central do Brasil e o Banco Central da Rússia optaram por cortes de juros. Na direção oposta, Banco do Japão, Banco Central Europeu e Banco Central da Indonésia elevaram suas taxas. Já o Federal Reserve, o Banco da Inglaterra, o Banco Central do Peru, a autoridade monetária de Taiwan, o Banco Nacional Suíço e o Banco da Reserva da Austrália mantiveram suas taxas de referência.
No Brasil, a agenda começa nesta segunda-feira (22) com a divulgação do Boletim Focus, que reúne as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico. Na terça-feira (23), o Banco Central publica a ata da última reunião do Copom, documento que será acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
O texto da ata deve ajudar o mercado a interpretar o tom do Banco Central após a decisão mais recente sobre a Selic. A leitura será importante em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais, inflação acima da meta e maior volatilidade no cenário internacional.
Na quinta-feira (25), o IBGE divulga o IPCA-15 de junho, considerado a prévia oficial da inflação. O dado deve ser um dos principais indicadores domésticos da semana, pois pode influenciar a curva de juros e as expectativas para a próxima reunião do Copom.
Na sexta-feira (26), o mercado acompanha as transações correntes, o Investimento Direto no País e a PNAD Contínua, que traz dados sobre o mercado de trabalho. A combinação entre inflação, atividade e emprego será importante para medir a resistência da economia brasileira em meio ao ciclo de juros ainda elevado.
“No Brasil, a agenda está robusta. Destaco a publicação do Boletim Focus, a ata do Copom, os índices de inflação da FGV, o IPCA-15, que serve como prévia oficial, e a PNAD Contínua, que trará dados sobre o mercado de trabalho”, afirma Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham os PMIs preliminares de junho na terça-feira. Os indicadores ajudam a medir o desempenho da indústria e dos serviços, dois setores fundamentais para avaliar a força da maior economia do mundo.
Na quinta-feira (25), o foco será o deflator do PCE, divulgado junto com dados de renda pessoal e gastos pessoais. O indicador é considerado a principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve e será decisivo para calibrar as apostas sobre os próximos passos da política monetária americana.
No mesmo dia, também será divulgada a revisão do PIB do primeiro trimestre dos Estados Unidos, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego. O mercado ainda acompanhará as expectativas de inflação da Universidade de Michigan, dado relevante para avaliar a percepção dos consumidores sobre os preços nos próximos anos.
Na Europa, a semana será marcada pelos PMIs preliminares de junho da Zona do Euro e pela prévia da confiança do consumidor. Os dados serão importantes para avaliar a velocidade da recuperação econômica e os próximos passos do Banco Central Europeu, após a decisão recente de elevar juros.
No Reino Unido, os investidores seguem monitorando os efeitos da decisão dividida do Banco da Inglaterra, que optou por manter a taxa básica de juros. A leitura do mercado será voltada para os sinais de persistência inflacionária e para o comportamento da atividade econômica britânica.
Na China, o mercado acompanha os reflexos da divulgação das taxas preferenciais de empréstimo pelo Banco do Povo da China. A sinalização da autoridade monetária chinesa será observada em meio às dúvidas sobre crescimento, demanda interna e impacto sobre commodities.
O cenário geopolítico também segue no radar. Os mercados acompanham os desdobramentos no Oriente Médio, especialmente após notícias sobre restrições no Estreito de Ormuz e seus reflexos sobre o petróleo. A volatilidade da commodity pode ter impacto direto sobre expectativas de inflação, custos de energia e apetite por risco global.
Com ata do Copom, IPCA-15, PCE americano, PMIs e dados de emprego no centro da agenda, a semana tende a ser relevante para a formação de preço em juros, câmbio, Bolsa e commodities. Para os investidores, os próximos dias devem ajudar a definir o tom das expectativas para política monetária no Brasil e nos Estados Unidos no início do segundo semestre.












