A Cirurgia Já, healthtech fundada pelo médico e cirurgião geral Eduardo Medeiros, foi apresentada no Smart Money, da BM&C News, como uma plataforma de intermediação em saúde voltado a conectar pacientes, médicos, hospitais, laboratórios, clínicas, bancos e seguradoras. A proposta é organizar o ecossistema necessário para viabilizar cirurgias, especialmente para pessoas que não têm plano de saúde, estão em período de carência ou não conseguem pagar procedimentos particulares à vista.
O negócio nasceu de uma dor identificada pelo próprio fundador no atendimento médico. Segundo Medeiros, muitos pacientes precisam de cirurgia, mas esbarram na falta de acesso financeiro imediato, o que cria uma lacuna entre a demanda por procedimentos e a capacidade de pagamento. A Cirurgia Já surge, nesse contexto, como uma intermediadora entre necessidade clínica, estrutura médica e oferta de crédito.
“Então eu fundei a Cirurgia Já, que é um marketplace que conecta o paciente que muitas vezes não tem plano de saúde com todos os envolvidos para que uma cirurgia ocorra”, afirmou Eduardo Medeiros.
Financiamento de cirurgias amplia acesso ao mercado privado
Durante o programa, Eduardo explicou que a empresa atua em duas frentes principais. No B2C, o paciente procura diretamente a plataforma após receber a indicação de um procedimento. No B2B, o médico utiliza a Cirurgia Já como uma ferramenta para converter consultas em cirurgias, com apoio em crédito, processos financeiros e organização operacional.
A proposta também não se limita aos pacientes que dependem do SUS. Mesmo quem possui plano de saúde pode precisar de alternativas de pagamento para cirurgias eletivas, procedimentos estéticos, intervenções durante a carência ou tratamentos não cobertos pelas operadoras. Com isso, o mercado endereçável da healthtech se amplia para diferentes perfis de consumidores.
“E tem também os pacientes do Dr. João que não conhece a Cirurgia Já. E o Dr. João usa a Cirurgia Já como uma facilitadora para converter consultas em cirurgia”, explicou Eduardo Medeiros.
Recorrência é desafio para a healthtech
Um dos principais pontos debatidos na mesa foi a dificuldade de criar recorrência em um negócio baseado em cirurgias. Diferentemente de outros serviços de saúde, muitos procedimentos são realizados uma única vez ou em intervalos longos, o que reduz o potencial de relacionamento contínuo com o mesmo paciente.
Para os conselheiros, uma forma de enfrentar esse desafio seria ampliar a jornada de atendimento. A inclusão de serviços de pré e pós-operatório, fisioterapia, acompanhamento clínico e conexão com outros profissionais poderia transformar a empresa em uma solução mais completa para médicos e pacientes, e não apenas em uma intermediadora financeira.
“Se a Cirurgia Já, além de viabilizar, fizer esse pré e pós para os cirurgiões, eu acredito que você possa garantir aquele cliente”, avaliou Alan.
Modelo financeiro reduz exposição ao risco de crédito
No formato atual, a Cirurgia Já afirma operar sem assumir diretamente o risco de inadimplência. A empresa conecta o paciente a instituições financeiras, bancos, FIDCs e securitizadoras, que fazem a análise de crédito, concedem o financiamento e assumem o risco da operação. A receita da healthtech vem da intermediação.
Esse desenho permite que a empresa concentre esforços na originação, na organização da jornada e na conexão entre as partes envolvidas. Ao mesmo tempo, o fluxo financeiro abre espaço para novas frentes, como antecipação de recebíveis para médicos e soluções voltadas à gestão de caixa dos profissionais de saúde.
“Hoje a nossa operação é totalmente risco zero da plataforma. Eu não tenho inadimplência”, destacou Eduardo Medeiros.
Escala nacional exige definição de foco
A Cirurgia Já nasceu no Ceará e, segundo o fundador, reúne atualmente 34 cirurgiões e mais de 1.500 procedimentos realizados. O próximo desafio é entender como escalar a operação para outros mercados, especialmente São Paulo, sem perder eficiência nem elevar de forma excessiva o custo de aquisição de clientes.
Na avaliação dos conselheiros, a expansão pode ocorrer por diferentes caminhos, mas o relacionamento com médicos aparece como uma das frentes mais promissoras. A leitura é que, ao se tornar uma ferramenta relevante para o cirurgião, a empresa pode ganhar distribuição, reduzir barreiras de entrada e construir uma esteira de soluções financeiras e operacionais para o setor.
“Eu gosto muito do B2B porque ali você vai ter conexão com o médico direto”, observou Eric Nunes.
B2B médico ganha força como caminho estratégico
A discussão também mostrou que a Cirurgia Já avalia três verticais de atuação: o B2C, voltado ao paciente; o B2B, direcionado ao médico; e o B2B2C, em parceria com hospitais. Embora os hospitais possam representar contratos maiores, os conselheiros ponderaram que esse caminho costuma envolver ciclos de venda mais longos e maior complexidade operacional.
A partir dessa análise, o foco no médico foi apontado como uma alternativa mais eficiente no curto prazo. O cirurgião já concentra parte relevante da demanda, entende a dor do paciente e pode usar a plataforma como suporte para crédito, agendamento, organização de fluxo e gestão financeira.
“Eu tenho três verticais do negócio: o B2C, que é o consumidor, o paciente que me procura; o B2B, que é a dor do médico; e agora abriu a outra vertical, que é o B2B2C, que são os hospitais”, explicou Eduardo Medeiros.
Plataforma pode evoluir para gestão da jornada cirúrgica
Na visão dos conselheiros, a Cirurgia Já tem potencial para se posicionar como uma ferramenta de gestão, workflow e inteligência financeira para cirurgiões. O diferencial competitivo estaria em unir conhecimento médico, tecnologia, originação de pacientes e soluções de pagamento em uma mesma estrutura.
O desafio, a partir de agora, será definir a vertical prioritária e transformar a intermediação de crédito em uma solução mais ampla para a jornada cirúrgica privada. Se conseguir consolidar esse posicionamento, a healthtech pode ampliar sua relevância em um mercado marcado por demanda reprimida, dificuldades de financiamento e necessidade de maior eficiência operacional.
“Eu vejo muito a sua solução sendo uma ferramenta de cash manager e de workflow daquele profissional”, analisou Alan.












