A indefinição sobre o cenário eleitoral brasileiro tornou-se o principal obstáculo para a tomada de decisão no mercado financeiro. Em entrevista à BM&C News, o economista Álvaro Bandeira traçou um diagnóstico direto: a dificuldade de uma terceira via ganhar força e a ausência de planos econômicos claros ampliam a volatilidade e afastam capital estrangeiro da bolsa brasileira.
Para Bandeira, o dilema dos investidores ultrapassa a escolha entre nomes. O que trava a alocação de recursos é a combinação entre riscos de imagem, imprevisibilidade política e a indefinição sobre qual modelo de política econômica prevalecerá após 2026.
A B3 sangra porque o investidor não negocia sem bússola
Segundo o economista, a saída recente de recursos da bolsa reflete menos uma rejeição ao Brasil e mais uma paralisia estratégica. Sem saber se haverá continuidade ou ruptura fiscal, os gestores preferem aguardar fora do mercado acionário doméstico.
A análise de Bandeira indica que o fluxo de capital estrangeiro não responde apenas a fundamentos. Responde à clareza. E, no momento, o cenário político oferece mais interrogação do que direção.
O mercado não reage ao discurso, reage ao risco
Na avaliação do economista, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro representa, para o investidor internacional, um impasse entre previsibilidade de curto prazo e incerteza de médio. De um lado, a continuidade com riscos fiscais conhecidos. De outro, uma alternativa sem programa estruturado e com passivo reputacional.
Bandeira observa que a dificuldade em consolidar uma terceira via viável agrava o quadro. O mercado financeiro, historicamente avesso ao vácuo institucional, interpreta a polarização como ampliação de risco-país, mesmo em cenários de juros elevados e fundamentos técnicos controlados.
A pressão externa — juros globais ainda altos e volatilidade geopolítica — soma-se ao problema doméstico e compõe um ambiente hostil à entrada de capital produtivo.
Volatilidade só cai com nome, sobrenome e planilha assinada
Para Bandeira, a redução da volatilidade passa pela apresentação de propostas econômicas detalhadas e nomes técnicos críveis. Enquanto a eleição for tratada como confronto de narrativas, o mercado seguirá precificando o pior cenário possível.
O economista reforça que eleições, juros altos e pressão cambial formam um tripé de risco que só se desfaz com ancoragem institucional clara. O problema, segundo ele, não é o preço dos ativos — é a ausência de previsibilidade sobre o que virá depois da urna.
Assista à entrevista completa da BM&C News neste link: https://www.youtube.com/watch?v=ZLAi3OWIkC4

