A primeira semana de junho começa com uma agenda econômica concentrada em atividade, inflação, mercado de trabalho e política monetária. Entre os principais destaques estão os dados de emprego dos Estados Unidos, a produção industrial de abril no Brasil, os PMIs das principais economias e novos sinais sobre o comportamento da inflação na Zona do Euro.
No Brasil, os investidores acompanham o Boletim Focus, o IPC-Fipe de maio, a produção industrial de abril e a balança comercial. A Pesquisa Industrial Mensal será divulgada pelo IBGE na quarta-feira (3), com referência a abril de 2026, e deve ajudar o mercado a medir o ritmo da atividade no início do segundo trimestre.
A produção industrial ganha relevância em um momento em que o mercado avalia a combinação entre juros elevados, câmbio, demanda doméstica e desempenho dos setores mais sensíveis ao crédito. O dado também pode influenciar as expectativas para o PIB e para a trajetória da política monetária no Brasil.
Nos Estados Unidos, a semana será dominada pelo mercado de trabalho. A agenda começa com PMI Industrial da S&P Global e ISM Industrial. Na terça-feira, o destaque será o relatório JOLTS. Na quarta, os investidores acompanham ADP, PMIs de serviços e composto, encomendas à indústria, ISM de serviços e encomendas de bens duráveis.
Na quinta-feira, serão divulgados dados de produtividade não agrícola e pedidos de seguro-desemprego. O principal evento, no entanto, será na sexta-feira (5), com o payroll de maio, que reúne criação de vagas, taxa de desemprego e salário médio por hora trabalhada. O relatório oficial de emprego dos EUA está previsto para 5 de junho, às 8h30 no horário local, segundo o calendário do Bureau of Labor Statistics.
“Em resumo, os principais destaques da semana serão os PMIs dos principais países da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil, o Boletim Focus, também no Brasil, e os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos”, afirma Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News.
Os dados americanos serão acompanhados de perto porque podem alterar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve. Um mercado de trabalho ainda aquecido pode reforçar a cautela em relação aos juros, enquanto sinais de desaceleração podem abrir espaço para uma leitura menos restritiva da política monetária.
Na Europa, os investidores acompanham os PMIs industrial e de serviços, a inflação ao consumidor da Zona do Euro, o índice de preços ao produtor, vendas no varejo da Alemanha, PIB da Zona do Euro e PIB da Suíça. A leitura desses indicadores será importante antes da reunião do Banco Central Europeu, marcada para os dias 10 e 11 de junho, em Frankfurt.
A agenda europeia será observada em meio à combinação de crescimento fraco, pressões inflacionárias e expectativa sobre o próximo movimento do BCE. O banco central manteve as principais taxas de juros inalteradas na reunião de abril e afirmou que segue comprometido com a estabilização da inflação em 2% no médio prazo.
Na China, o PMI Industrial Caixin de maio será o principal indicador da semana. O número ajudará a medir o desempenho da indústria chinesa e seus possíveis efeitos sobre commodities, especialmente minério de ferro, energia e outros insumos ligados à cadeia global de produção.
No Japão, os destaques serão o PMI Industrial e o discurso de Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão. A fala será monitorada por investidores em busca de sinais sobre juros, inflação e câmbio, em um momento de atenção ao comportamento do iene e à política monetária japonesa.
Outras economias também entram no radar. A Índia divulgará o PIB do quarto trimestre e a decisão de juros do banco central. Austrália e África do Sul apresentam dados do PIB do primeiro trimestre, que ajudam a compor a leitura sobre o ritmo da atividade global.
As commodities seguem como fator de atenção. O mercado acompanha a situação geopolítica no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo, além da leitura dos PMIs para medir a demanda global por energia, metais e insumos industriais.
Com payroll, PMIs, produção industrial brasileira e inflação europeia no centro da agenda, a semana tende a ser relevante para a formação de preço em juros, câmbio, Bolsa e commodities. Para os investidores, os dados dos próximos dias podem indicar se a economia global segue resiliente ou se começa a mostrar sinais mais claros de desaceleração.













