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Inteligência artificial, SpaceX e Nvidia acendem alerta sobre empregos e bolha em tecnologia

No Manhattan Connection, bancada analisa os impactos da IA sobre trabalho, saúde emocional, bolsas americanas e o risco de correção em empresas de tecnologia.

Sofia Tosta Por Sofia Tosta
26/05/2026
Em ECONOMIA

O Manhattan Connection discutiu os efeitos políticos, econômicos e tecnológicos de um cenário global marcado por tensões geopolíticas, avanço da inteligência artificial, incertezas sobre emprego e forte valorização de empresas ligadas à tecnologia. No programa, a bancada analisou temas que vão da relação entre Estados Unidos, China, Cuba e Rússia até o impacto da IA sobre jovens, mercado de trabalho e bolsas americanas.

A conversa começou pelo ambiente internacional e pela leitura crítica sobre a atuação de Donald Trump em temas de política externa. Diogo Mainardi avaliou que a aproximação entre interesses políticos, econômicos e estratégicos amplia a instabilidade e reduz a previsibilidade em um momento de disputa entre grandes potências.

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“Infelizmente não há uma perspectiva de saída desse buraco no curtíssimo prazo”, afirmou Diogo Mainardi.

China, Rússia e os limites das superpotências

A relação entre China, Rússia e Estados Unidos também foi tratada a partir da ideia da disputa entre potências estabelecidas e potências em ascensão. O debate passou pela chamada armadilha de Tucídides, usada para explicar riscos de conflito quando uma potência emergente ameaça a posição de uma potência dominante.

Caio Blinder relacionou esse conceito aos movimentos recentes de Xi Jinping, Vladimir Putin e Donald Trump, destacando que a guerra na Ucrânia alterou parte da percepção sobre a força russa. Para ele, a China aparece em posição mais favorável dentro desse tabuleiro, enquanto Rússia e Estados Unidos enfrentam limitações políticas e estratégicas.

“Claro que o Xi tá por cima porque ele trouxe os dois pra cama dele”, analisou Caio Blinder.

Economia americana, inflação e risco de recessão

No campo econômico, Bruno Corano contestou a leitura de que os Estados Unidos estejam vivendo um ciclo de crescimento industrial extraordinário, desemprego fora de controle, inflação estabilizada em 4% e baixa probabilidade de recessão. Para ele, os dados ainda mostram um quadro mais complexo, com avanços pontuais na produção industrial, mas sem mudança estrutural suficiente para confirmar uma reindustrialização acelerada.

A análise também passou pelo impacto da tecnologia sobre o emprego. Bruno reconheceu que a inteligência artificial pode pressionar o mercado de trabalho, especialmente em setores mais expostos à automação, mas afirmou que os indicadores recentes ainda mostram variações graduais. Ao mesmo tempo, alertou que petróleo alto e conflitos externos podem elevar o risco inflacionário em momento sensível para o calendário eleitoral americano.

“Sobre o desemprego, eu acho que tem grandes chances de subir em razão do avanço da tecnologia, mas ele ainda, a variação, se a gente pega o payroll, o JOLTS dos últimos meses, a variação ainda é muito sutil”, avaliou Bruno Corano.

Inteligência artificial e fadiga digital entre jovens

A inteligência artificial também apareceu como um tema social e comportamental. Marta Gabriel chamou atenção para a rejeição crescente à tecnologia em ambientes acadêmicos, especialmente em discursos de formatura nos Estados Unidos. Para ela, as vaias dirigidas à IA não significam apenas oposição racional à inovação, mas também uma reação emocional a um ambiente de excesso tecnológico.

Essa resistência foi associada à chamada fadiga de realidade, expressão usada por Marta para descrever a sobrecarga cognitiva e psicológica causada pela presença permanente da tecnologia nos processos cotidianos. A leitura indica que a sociedade passa a buscar espaços offline e experiências menos mediadas por telas como forma de equilíbrio.

“Esse sinal chama fadiga de realidade. O que é a fadiga de realidade? Essa sobrecarga que a gente tem cognitiva, psicológica, de ter tecnologia o tempo todo em todos os nossos processos, que faz com que a gente comece a fugir”, explicou Marta Gabriel.

Redes sociais ampliam comparação e pressão emocional

Rossandro Klinjey aprofundou a análise sobre os efeitos das redes sociais e da tecnologia na formação emocional de jovens. Segundo ele, a adolescência já é, por natureza, uma fase de transição, mas ganhou uma nova camada de pressão com a exposição permanente à comparação social, à validação pública e aos comentários de desconhecidos.

Para Rossandro, a dinâmica digital ampliou o alcance da comparação e tornou mais difícil para muitos jovens lidar com críticas e frustrações. Essa leitura conecta tecnologia, saúde emocional e educação midiática, especialmente em um momento em que crianças e adolescentes passam a usar IA generativa com frequência crescente.

“A gente não foi treinado, nosso cérebro não foi treinado para se comparar com o mundo”, observou Rossandro Klinjey.

SpaceX pode testar o apetite do mercado por tecnologia

Na parte dedicada aos mercados, Bruno Corano analisou a expectativa em torno de uma possível abertura de capital da SpaceX. Ele explicou que a empresa nasceu com a ambição de desenvolver foguetes mais eficientes e, ao longo do tempo, construiu presença relevante em satélites, tráfego de dados, Starlink e exploração espacial.

A expectativa de um IPO da SpaceX tende a atrair investidores pelo porte da companhia e pela associação com Elon Musk. Ainda assim, Bruno destacou que uma abertura de capital muito aguardada não garante retorno imediato ao investidor, lembrando que empresas conhecidas já tiveram desempenho negativo nos primeiros anos após a estreia em bolsa.

“Quando a gente olha SpaceX, ela é uma empresa multifacetada, com diferentes potenciais de receita, em francos crescimento, com domínio em certos territórios e que vai partir pro IPO”, destacou Bruno Corano.

Nvidia segue como termômetro da inteligência artificial

A Nvidia foi apresentada como um dos principais termômetros da inteligência artificial nas bolsas americanas. A companhia concentra peso relevante no S&P 500, tornou-se referência global em valor de mercado e ocupa posição central no fornecimento de GPUs, peças fundamentais para o desenvolvimento de modelos avançados de IA.

Mesmo com resultados expressivos, a dúvida central está na sustentabilidade do ritmo de crescimento. Para Bruno, o mercado já precifica uma continuidade de expansão em volume, receita e margem, mas qualquer frustração futura pode afetar não apenas a ação da Nvidia, mas também o humor em torno de empresas ligadas à inteligência artificial.

“Agora, o que ninguém sabe e eu também não sei, é até quando a NVIDIA vai ser capaz de continuar crescendo volume e margem de forma ininterrupta”, ponderou Bruno Corano.

Risco de bolha exige análise seletiva

O debate sobre uma possível bolha em tecnologia foi tratado com cautela. Bruno comparou o momento atual com a bolha das empresas ponto-com, no início dos anos 2000, quando várias companhias tinham alto valor de mercado, consumiam caixa e não apresentavam geração consistente de receita. A diferença, segundo ele, é que parte das empresas atuais ligadas à IA já tem receita e lucro, embora isso não elimine exageros em segmentos específicos.

A conclusão é que a inteligência artificial segue como uma tendência estrutural, mas não deve ser analisada de forma homogênea. Para investidores, o desafio é separar empresas com geração de caixa, vantagem competitiva e capacidade de entrega daquelas que podem estar sendo beneficiadas apenas pela euforia em torno do tema.

“Então eu diria que existe bolha talvez setorial ou pontual de algumas empresas, mas não existe uma bolha generalizada da maneira que foi em 2000”, analisou Bruno Corano.

Televisão, cobertura internacional e leitura de risco

O programa também recebeu Davi Presas, produtor de televisão com experiência em coberturas internacionais, guerras e Copas do Mundo. Ele relembrou a cobertura da epidemia de Ebola no Congo, em 1995, quando viajou com uma equipe de reportagem em uma operação feita em curto prazo e sob condições de risco.

A participação de Davi ampliou o debate para o papel do jornalismo em cenários extremos. Em uma edição que passou por geopolítica, tecnologia, saúde emocional, mercados e televisão, o Manhattan Connection mostrou como diferentes áreas hoje se cruzam na interpretação de risco, seja no campo político, econômico, tecnológico ou humano.

“Foi tão marcante quanto as outras grandes coberturas que já participei”, relembrou Davi Presas.

 

 

 

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