Em 30 de novembro de 2022, quando a OpenAI lançou o ChatGPT, o mundo ganhou acesso irrestrito à Inteligência Artificial. Desde então, nunca se produziu tanto, nunca se analisou tanto, nunca se comunicou tanto.
E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil decidir. O excesso virou o problema.
Para Marc Tawil, estrategista de comunicação e Nº 1 LinkedIn Top Voices Brasil, o fenômeno tem nome: perda de decidibilidade ou a capacidade de transformar análise em direção prática.
Os números confirmam o que os executivos já sentem. Metade dos líderes sênior se sente sobrecarregada pelo volume de dados e dashboards que recebe diariamente (TheyDo, 2025). E 70% já desistiram de tomar uma decisão porque o volume de informação era grande demais (Oracle, 2023).
“Não vejo empresas travando por falta de inteligência, e sim por falta de decidibilidade. Tudo virou prioridade ao mesmo tempo. Existe análise demais, alinhamento de menos e coragem insuficiente para assumir trade-offs”, afirma Tawil.
Para o estrategista, muitas organizações confundiram acesso à informação com capacidade real de decisão. “As empresas ficaram mais rápidas para reagir, mas não necessariamente melhores para escolher. E isso cria um efeito perigoso: muito movimento, pouca direção.”
A aceleração provocada pela IA aprofundou esse cenário. “A tecnologia aumentou drasticamente a velocidade das respostas. Só que velocidade não significa clareza. O grande risco dos próximos três anos é confundir recomendação com decisão e automação com responsabilidade.” O impacto aparece em sintomas que as organizações já conhecem bem: reuniões improdutivas, retrabalho silencioso, conflitos entre áreas, desgaste de liderança e uma sensação permanente de urgência sem avanço proporcional.
Para Tawil, que passou por algumas das principais redações do País, como Jovem Pan, Estadão, Band e Globo, empreendeu na comunicação por mais de uma década e hoje atua como estrategista de lideranças em ambientes complexos, a saída não é tecnológica. É comunicacional.
“Tenho para mim que quem comunica bem decide melhor. Porque consegue transformar pensamento em direção prática. O desafio das empresas hoje não é falar mais. É criar clareza suficiente para que pessoas diferentes consigam agir na mesma direção.”














