A indústria brasileira está no centro das discussões sobre atração de investimentos, agregação de valor e reorganização das cadeias produtivas globais. Durante a Brazilian Week 2026, em Nova York, empresários e representantes institucionais discutiram como o Brasil pode aproveitar esse novo momento para transformar matéria-prima dentro do próprio país e ampliar sua presença em segmentos industriais mais sofisticados.
Em entrevista à BM&C News, Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, afirmou que o Brasil tem oportunidades relevantes em áreas como infraestrutura, data centers, inteligência artificial, energia limpa e biocombustíveis. Segundo ele, esses setores podem demandar investimentos e ajudar o país a construir novas frentes de crescimento industrial.
Indústria brasileira e relação com os Estados Unidos
Alban destacou que a relação entre Brasil e Estados Unidos é estratégica para a indústria porque envolve principalmente produtos industrializados. De acordo com o presidente da CNI, os Estados Unidos representam o principal parceiro comercial brasileiro nesse segmento, o que cria espaço para ampliar a complementariedade entre as duas economias.
A proposta, segundo ele, é fortalecer novos encadeamentos produtivos e inserir pequenas e médias indústrias brasileiras nas cadeias de fornecimento. Esse movimento pode incluir tanto a atuação como fornecedoras quanto a complementação tecnológica em setores de maior valor agregado.
Segurança jurídica e ambiente de negócios
O presidente da CNI afirmou que o Brasil é visto internacionalmente como um país confiável e amigável, mas ponderou que ainda há deveres de casa a serem feitos. Entre os principais pontos citados estão a necessidade de ampliar a segurança jurídica, melhorar o ambiente regulatório e tornar o ambiente de negócios mais previsível.
Alban também lembrou que o Brasil vive um ano eleitoral, o que pode influenciar decisões e processos políticos. Para ele, o setor privado tem papel relevante na construção de um ambiente mais favorável ao investimento, em diálogo com o poder público e com parceiros internacionais.
Complementariedade e defesa comercial
Na avaliação de Ricardo Alban, o Brasil precisa desenvolver políticas de bilateralidade e também de defesa comercial. Ele citou a China como exemplo de país com forte potencial competitivo e afirmou que o Brasil deve ter clareza sobre esse cenário.
O presidente da CNI também comparou a política tarifária dos Estados Unidos a uma forma de proteger a competitividade da indústria americana. Para ele, o novo conceito das relações econômicas deve estar baseado em complementariedade: identificar onde cada país tem vantagem competitiva, como agregar valor e como construir relações de ganho mútuo.
Investimento global busca porto seguro
Alban afirmou ainda que não faltam recursos no mundo. Segundo ele, há capital internacional em busca de destinos seguros, e o Brasil precisa transformar seu potencial em convencimento para os investidores.
Apesar das oportunidades, o presidente da CNI defendeu que o país terá que enfrentar temas estruturais a partir de 2027, como o déficit fiscal, uma possível reforma administrativa e outros pontos capazes de impactar o ambiente de negócios.
A mensagem central da entrevista é que a indústria brasileira tem espaço para ganhar protagonismo no novo ciclo global de investimentos, desde que o país avance em segurança jurídica, reformas, competitividade e integração produtiva com parceiros estratégicos.
*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.
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