O Lula de 2022 já venceu no limite – média de 79 mil votos por estado – contra um Bolsonaro desgastado pela pandemia e por episódios terminais com armas na véspera do pleito. Nunca houve uma ampla maioria progressista. Quatro anos depois, o atual governo carece de marcas populares fortes como o antigo Bolsa Família, Luz para Todos ou o Prouni. Eleição se decide na memória recente e no bolso, e hoje não há nenhum dos dois a favor do Planalto.
Aos 80 anos, falta fôlego a Lula para a articulação política, tarefa que não tem mais paciência para fazer. A percepção em Brasília é de um presidente que prefere viagens internacionais com Janja a articulacão com o Congresso. O vácuo foi ocupado por figuras de alta rejeição, como Gleisi Hoffmann, incapazes de unificar a base. O resultado prático: a derrota na indicação de Jorge Messias provou que o Centrão abandonou de vez o barco. Sem o exército de prefeituras liderado por Gilberto Kassab (PSD), o governo está a pé. Para quem não sabe, a eleição para presidente é decidida pela base de prefeitos.
O destino do novo presidente está nas mãos de 15% do eleitorado pragmático. Descontados os 35% do lulismo, os 35% do bolsonarismo e as abstenções, quem decide é o eleitor que não tem ideologia, tem boleto. E para capturar esse público, a direita tem quase hegemonia digital esmagadora. Enquanto a esquerda aposta em fórmulas antigas, a direita dita a narrativa nas redes. Isso viabiliza Flávio Bolsonaro, que herda 100% do capital político do pai sem carregar 100% da sua rejeição, uma vantagem brutal numa disputa apertada.
Enquanto isso, o governo federal sofre o desgaste de ser vidraça. O poder de compra caiu. A equipe econômica pode até apresentar planilhas de PIB, mas o brasileiro vota sentindo o preço do supermercado e o limite do cartão. Em eleição, percepção vence planilha. Para piorar, há a bomba-relógio do caso Master, que está só no começo. Escândalos financeiros respingam em todos, mas sangram sempre no colo de quem ocupa a Presidência.
Tratar 2026 como jogo encerrado seria amadorismo. Mas hoje, sem articulação, perdendo de lavada no digital e com a população estrangulada financeiramente, a reeleição de Lula deixou de ser um projeto de força própria para depender exclusivamente de um erro crasso da oposição. E depender do erro alheio é a antessala da derrota.
*Coluna escrita por Fabrizio Gueratto, especialista em investimentos com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Foi sócio do Banco Modal, é professor de MBA em Finanças, autor do livro “De Endividado a Bilionário”, fundador da Gueratto Press e criador do Canal 1Bilhão, que soma quase 21 milhões de visualizações no YouTube.
As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.
Leia mais colunas do autor clicando aqui.














