O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a projeção de crescimento econômico global para 2026. De acordo com a atualização do relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO), divulgada nesta terça-feira (14), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global foi reduzido de 3,3% para 3,1%. A estimativa de expansão para 2027 foi mantida em 3,2%.
Segundo o organismo internacional, a revisão reflete os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, que passou a afetar cadeias logísticas, preços de commodities e o ambiente financeiro global.
Crescimento econômico mundial: guerra no Oriente Médio pressiona expectativas
No relatório, o FMI afirma que a economia mundial vinha demonstrando resiliência diante de choques recentes, mas o novo conflito regional voltou a elevar o nível de incerteza.
Entre os fatores apontados pela instituição estão custos humanitários elevados, danos à infraestrutura e interrupções no transporte marítimo e aéreo, que acabam afetando o comércio internacional e os fluxos de energia.
O Fundo também alerta para efeitos indiretos sobre os mercados, como a alta de commodities e o aumento da aversão ao risco entre investidores, o que pode apertar as condições financeiras globais.
Inflação global volta a subir nas projeções
Além do crescimento mais fraco, o FMI também revisou para cima as expectativas de inflação global.
A projeção para 2026 subiu para 4,4%, acima da estimativa anterior de 3,8%. Para 2027, a inflação esperada passou de 3,4% para 3,7%.
De acordo com o relatório, os preços de energia e alimentos são os principais canais de transmissão dessa pressão inflacionária, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica.
Mesmo com o aumento das tensões geopolíticas, o FMI projeta expansão do comércio mundial. A estimativa para 2026 foi revisada para 2,8%, acima dos 2,6% previstos anteriormente. Para 2027, a projeção passou para 3,7%, acima da previsão anterior de 3,1%.
Segundo o relatório, mudanças recentes na política tarifária dos Estados Unidos e novas negociações comerciais entre países têm incentivado a formação de parcerias econômicas. Entre os exemplos citados está o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
Commodities energéticas devem pressionar a economia
Outro ponto destacado pelo FMI é o impacto esperado sobre os preços de energia. O relatório projeta que o petróleo pode subir 21,7% em 2026, enquanto as commodities energéticas devem avançar cerca de 19% no período.
Para a instituição, preços mais altos de energia funcionam como um choque negativo de oferta, elevando os custos de produção e pressionando a inflação global.
O Fundo Monetário Internacional também destaca um cenário de risco relacionado à possibilidade de bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Caso o conflito se intensifique ou provoque novos danos à infraestrutura energética da região, o FMI avalia que o crescimento global poderia desacelerar para cerca de 2,5%, enquanto a inflação poderia subir para 5,4%.
Nesse cenário, a economia mundial enfrentaria uma combinação de crescimento mais fraco e inflação mais alta, aumentando os desafios para bancos centrais e formuladores de política econômica ao redor do mundo.














