A Natura anunciou mudanças relevantes em sua estrutura societária e de governança, movimento que foi avaliado de forma positiva pela XP Investimentos. Em relatório divulgado nesta semana, a casa de análise reiterou recomendação de compra para as ações da empresa (NATU3), apontando que a possível entrada do fundo Advent como acionista minoritário pode reforçar as perspectivas para a companhia no mercado.
Segundo a XP, a Advent assinou um compromisso vinculante para adquirir participação minoritária na Natura, com prazo de até seis meses para atingir entre 8% e 10% do capital da companhia por meio de compras no mercado secundário. O objetivo é alcançar um preço médio de R$ 9,75 por ação, cerca de 5% acima do preço de fechamento no momento do anúncio.
Caso o preço das ações permaneça acima desse nível por três meses consecutivos, o compromisso pode ser encerrado. Por outro lado, se o fundo atingir participação mínima de 8%, poderá indicar dois novos membros para o conselho de administração, ampliando o colegiado de nove para onze integrantes.
Para os analistas da XP, o interesse da Advent funciona como uma sinalização positiva sobre o valor da empresa e pode servir como referência para o preço das ações no mercado.
Nova fase de governança
Além da possível entrada do fundo, a Natura anunciou a implementação de um novo acordo de acionistas com duração inicial de 10 anos, renovável por mais uma década. O acordo envolve o mesmo bloco controlador do contrato anterior, que inclui os fundadores da companhia.
Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, juntamente com o atual presidente do conselho, Fabio Barbosa, deixarão o conselho de administração e passarão a integrar um novo conselho consultivo, cuja função será preservar os valores e a cultura da empresa.
Esse novo órgão, caso seja aprovado em assembleia, não terá funções executivas nem poder de decisão sobre a gestão da companhia.
De acordo com a XP, os fundadores continuam com participação relevante na empresa, detendo aproximadamente 38% das ações, todas incluídas no acordo societário.
Mudanças no conselho
O processo de transição também envolve alterações na composição do conselho de administração. Três novos nomes foram indicados para o colegiado: Luiz Guerra, Pedro Villares e Guilherme Passos. Ao mesmo tempo, Alessandro Carlucci — ex-CEO da Natura e atual membro do conselho — assumirá a presidência do órgão, substituindo Fabio Barbosa. Outras mudanças incluem a saída de Bruno Rocha, cofundador da Dynamo, e de Gilberto Mifano. As vagas serão ocupadas por Flávia Almeida, ex-executiva da McKinsey e CEO da Peninsula, e Gabriela Comazzeto, que já atuou em empresas como Meta e TikTok.
Estratégia focada na América Latina
Segundo o relatório, as mudanças refletem um reposicionamento estratégico da Natura, com foco em um novo ciclo de crescimento centrado nas operações da América Latina.
A XP avalia que a transição de governança vinha sendo planejada desde 2022, período em que a prioridade da administração foi estabilizar a situação financeira da companhia.
Na visão dos analistas, a criação de um conselho consultivo permite manter os fundadores próximos da empresa, preservando sua cultura, ao mesmo tempo em que abre espaço para uma estrutura de governança voltada para a expansão operacional.
Recomendação e preço-alvo
A XP manteve recomendação “compra” para NATU3, com preço-alvo de R$ 12 por ação. Considerando o valor de mercado de aproximadamente R$ 9,2 por ação no momento da análise, a casa estima um potencial de valorização próximo de 30%.













