O setor público consolidado, formado por União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro de 2026, segundo o relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (31).
O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 19 bilhões, mas mantém o setor público no campo negativo no início do ano.
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento de juros da dívida.
Série histórica mostra oscilações nas contas do setor público
Os dados mostram que o desempenho das contas do setor público em fevereiro tem variado nos últimos anos.
Confira a série histórica:
- 2022: superávit de R$ 3,47 bilhões;
- 2023: déficit de R$ 26,4 bilhões;
- 2024: déficit de R$ 48,7 bilhões;
- 2025: déficit de R$ 18,97 bilhões;
- 2026: déficit de R$ 16,4 bilhões.
Apesar da melhora frente ao ano passado, os números mostram que o equilíbrio fiscal ainda enfrenta desafios estruturais.
Governo central concentra maior déficit
Entre os diferentes entes que compõem o setor público, o maior impacto negativo veio do governo central, que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.
Veja o desempenho em fevereiro:
- Governo central: déficit de R$ 29,5 bilhões;
- Empresas estatais: déficit de R$ 568 milhões;
- Governos regionais (estados e municípios): superávit de R$ 13,7 bilhões.
O superávit dos governos regionais ajudou a reduzir o resultado negativo consolidado do mês.
Juros da dívida seguem elevados
Mesmo com um déficit primário relativamente moderado, o peso dos juros continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as contas públicas.
Em fevereiro:
- Juros nominais: R$ 84,2 bilhões;
No mesmo mês de 2025:
- R$ 78,3 bilhões;
Segundo o Banco Central, contribuíram para a alta:
- aumento do endividamento líquido;
- taxa Selic elevada;
- avanço da inflação medida pelo IPCA.
No acumulado de 12 meses, os juros somaram:
- R$ 1,036 trilhão;
- 8,07% do PIB.
Déficit nominal ultrapassa R$ 1 trilhão em 12 meses
Ao incluir o pagamento de juros da dívida, o resultado nominal do setor público apresenta números mais expressivos.
Em fevereiro de 2026:
- Déficit nominal: R$ 100,6 bilhões;
No acumulado em 12 meses:
- Déficit nominal: R$ 1,089 trilhão;
- Equivalente a 8,48% do PIB.
O percentual permaneceu estável em relação ao mês anterior.
Dívida pública cresce e se aproxima de 80% do PIB
O relatório também mostra aumento no nível da dívida pública.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui governo federal, INSS, estados e municípios, atingiu R$ 10,2 trilhões, o equivalente a 79,2% do PIB. O indicador subiu 0,5 ponto percentual em relação a janeiro.
Segundo o Banco Central, os principais fatores que explicam a elevação foram:
- incorporação de juros da dívida;
- emissão líquida de títulos públicos.
Por outro lado, o crescimento do PIB nominal e a valorização cambial ajudaram a reduzir parcialmente a relação dívida/PIB.














