A 12ª pesquisa do UBS Evidence Lab, realizada em janeiro de 2026 com 462 lojistas, revela que o mercado brasileiro de pagamentos não é mais uma disputa de máquinas, mas de ecossistemas financeiros. De um lado, os bancos tradicionais utilizam sua robustez para reter clientes; de outro, o Mercado Pago (MELI) se consolida como a força digital a ser batida. Embora a Rede (Itaú) lidere o ganho de participação, saltando de 23% para 27% (um avanço de 4 pontos percentuais), ela enfrenta a onipresença do Mercado Pago, que ostenta indicadores de engajamento maiores. “Vemos a Rede emergindo como a principal ganhadora de participação e líder de mercado”, afirmou o banco.
A força do Mercado Pago reside na profundidade de sua integração digital, desafiando a estrutura dos bancões. Enquanto a penetração média de contas digitais no setor caiu para 40%, o braço financeiro do Mercado Livre isola-se com 73% de penetração em sua base. Na análise do UBS, esse abismo estatístico mostra que, enquanto os bancos lutam para digitalizar seus clientes, o Mercado Pago opera um ecossistema nativo onde o lojista transaciona e guarda capital. “Mercado Pago se destaca com 73% de penetração de conta digital.”
Para contra-atacar, os bancos tradicionais apostam no bundling (oferta de pacotes) para elevar a lucratividade e proteger seus balanços. A Cielo (Bradesco/BB) estabilizou sua preferência em 16%, empatada tecnicamente com o PagBank, que também chegou a 16% (ante 15% na pesquisa anterior). De acordo com o relatório, a estratégia de “cerco” visa aumentar o tempo de permanência do cliente e as margens operacionais, algo vital para sustentar os lucros do setor. “A importância de uma oferta de pacote continua ganhando relevância para alavancar lucratividade”, o relatório afirmou.
CRÉDITO DO ADQUIRENTE – O crédito é o campo de batalha onde as estratégias se chocam e os dados comprovam a hegemonia digital na conversão. O levantamento aponta que 42% dos lojistas receberam ofertas de empréstimos em 2026 das adquirentes, um recorde histórico frente aos 32% anteriores. Contudo, o Mercado Pago leva vantagem na prática: sua taxa de aceitação de crédito é de 25%, mais que o dobro da média do mercado, que está estagnada em apenas 11%. “Conversão de empréstimos permanece estagnada em 11% apesar do aumento das ofertas”, o documento afirmou.
No fim, o relatório desenha um cenário de polarização onde instituições menos integradas perdem espaço. A Getnet (Santander) registrou perda de tração, recuando de 15% para 13%, enquanto a Stone foi citada por “perder terreno” diante da agressividade dos líderes. Com a Selic projetada para 11,50% (análise do UBS) em 2026, a guerra de preços deve se intensificar, favorecendo quem tiver o custo de captação mais baixo e o ecossistema mais fechado. “Não descartamos ajustes de preços mais rápidos do que o esperado no setor”, afirmou o UBS, condicionando a movimentação de bancos e adquirentes aos juros.













