A prévia da inflação oficial no Brasil desacelerou em março de 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 0,44%, após avanço de 0,84% em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo mês de 2025, a taxa havia sido de 0,64%.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 3,90% em 12 meses, abaixo dos 4,10% registrados até fevereiro e também inferior aos 5,26% observados no mesmo período do ano passado. A taxa permanece dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem centro em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
IPCA-15: alimentos lideram alta de preços no mês
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento em março. O principal impacto veio de alimentação e bebidas, que avançou 0,88%. A alimentação no domicílio acelerou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março, contribuindo para o resultado do índice.
O grupo de despesas pessoais registrou alta de 0,82%, influenciado principalmente pelos subitens serviço bancário, com variação de 2,12%, e empregado doméstico, que subiu 0,59%.
Diesel limita queda nos combustíveis
O grupo de combustíveis ficou praticamente estável, com variação positiva de 0,03% no IPCA-15 de março. Houve redução nos preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%).
Já o óleo diesel apresentou alta de 3,77%, movimento associado ao cenário internacional. O Brasil importa mais de 20% desse derivado, cujos preços foram impactados pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Leitura do mercado
Para Leonardo Costa, economista do ASA, na leitura qualitativa, o dado veio marginalmente melhor na margem, mas com composição ainda desafiadora. A alta de passagens aéreas acabou aparecendo no núcleo ex0, que exclui alimentação no domicílio, enquanto o subjacente de serviços segue pressionado, em parte por fatores sazonais típicos do início do ano. A volatilidade de itens específicos segue elevada: com destaque para serviços financeiros e componentes ligados a transporte.
“A despeito da volatilidade observada em alguns itens, o que se observa é estabilidade na média móvel de 3 meses do núcleo de serviços, que segue operando acima do teto do regime de metas de inflação (de 4,5%) – sem desaceleração adicional deste grupo, o atingimento da meta de 3% fica mais desafiador”, destaca.
Olhando à frente, o economista avalia que o quadro segue inflacionário e teve piora considerável, efeito da continuidade do conflito no oriente médio. A inflação de curto prazo deve ficar mais pressionada, com alta mais forte de combustíveis no IPCA de março (mesmo perante ajuste modesto da Petrobras no diesel, perante o continuo aumento da conta defasagem) e dos alimentos.
“O IPCA de 2026 é projetado em 4,4% (com viés de alta). A deterioração do quadro inflacionário de curto prazo, com resistência em patamar elevado das medidas de núcleo de inflação, devem limitar o ciclo de corte de juros do Banco Central“, conclui.
Já para o economista Maykon Douglas, este foi mais um mês de forte surpresa altista no IPCA-15, concentrada no preço das passagens aéreas, que apresenta um comportamento bastante volátil há algum tempo. No entanto, os núcleos em geral vieram conforme as expectativas do mercado e mantêm uma desaceleração lenta, em patamares bem acima da meta.
“O cenário para o curto prazo é ruim. A inflação dos combustíveis ainda não sentiu o impacto da guerra no Oriente Médio, que deve ser forte, dada a enorme incerteza quanto à duração do conflito e os aumentos nos postos mesmo sem reajustes oficiais pela Petrobras. Além disso, com o aperto no mercado de trabalho, a inflação sensível à demanda deve permanecer acima da meta“, avalia.













