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A rocha viva de 3 mil milhões de anos na costa da Austrália que libertou o primeiro oxigênio para a atmosfera do planeta

Laila Por Laila
12/03/2026
Em Ciências Naturais

Você sabia que a nossa respiração depende de uma rocha viva escondida no oceano asiático? Descubra como os fósseis mais antigos da Terra recriaram a atmosfera global e por que essas estruturas biológicas continuam fascinando a ciência moderna.

Como a rocha viva se forma nas águas rasas da Austrália?

Na Baía Shark (Shark Bay), localizada na costa oeste da Austrália, emergem das águas hipersalinas estruturas rochosas de aparência irregular. São os estromatólitos, formações calcárias construídas por colônias de cianobactérias fotossintetizantes que representam o registro mais contínuo da vida no nosso planeta.

Esses microbialitos são produzidos pela ação conjunta de micro-organismos e do ambiente físico. O processo é lento e incrivelmente preciso. As cianobactérias aprisionam grãos de sedimento com uma espécie de cola biológica e precipitam carbonato de cálcio por meio da fotossíntese, construindo verdadeiras cúpulas ao longo de séculos.

As cianobactérias aprisionam grãos de sedimento com uma espécie de cola biológica e precipitam carbonato de cálcio por meio da fotossíntese, construindo verdadeiras cúpulas ao longo de séculos

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O papel fundamental da rocha viva no Grande Evento de Oxigenação

A importância dessas estruturas vai muito além da geologia, pois elas são as responsáveis diretas pela oxigenação da atmosfera terrestre. Durante bilhões de anos, o nosso planeta possuía um ar dominado por metano e dióxido de carbono. As cianobactérias alteraram isso realizando a fotossíntese oxigênica, que utiliza a água para liberar oxigênio molecular como subproduto.

O acúmulo desse gás atingiu um ponto crítico há 2,4 bilhões de anos e desencadeou o Grande Evento de Oxigenação (GOE). Arquivos históricos do PubMed Central (PMC) confirmam que esse evento provocou uma extinção em massa de formas de vida anaeróbias, mas permitiu a formação da camada de ozônio e a evolução da vida complexa humana.

O acúmulo desse gás atingiu um ponto crítico há 2,4 bilhões de anos e desencadeou o Grande Evento de Oxigenação (GOE)

A estrutura em camadas que mantém a rocha viva funcionando

Os estromatólitos modernos do Hamelin Pool não são simples blocos de calcário. Eles são ecossistemas estratificados onde diferentes grupos microbianos coexistem em zonas verticais muito bem definidas pelo nível de oxigênio disponível.

Para entender como esse ecossistema em miniatura sobrevive de forma quase fechada, a tabela abaixo detalha a organização funcional de cada estrato biológico:

Nível da estrutura Tipo de micro-organismo dominante Função biológica principal
Camada Superior Cianobactérias fotossintetizantes Produção ativa de oxigênio
Camada Intermediária Bactérias heterotróficas aeróbias Consumo e ciclagem de nutrientes
Camada Profunda Bactérias sulfato-redutoras Metabolismo estritamente anaeróbio

Pesquisas recentes publicadas pelos National Institutes of Health (NIH) revelam que os cientistas isolaram recentemente uma nova cepa de Acaryochloris nesses locais. Essa bactéria é adaptada a viver sob luz infravermelha próxima, provando que o oceano ainda guarda segredos biológicos fantásticos.

Para você visualizar a magnitude dessa revolução atmosférica, selecionamos o conteúdo do canal Ciência Todo Dia, que educa mais de 7,65 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, entenda como o oxigênio quase aniquilou todas as formas de vida primitivas:

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Por que a rocha viva sobreviveu aos predadores do período Cambriano?

A abundância global dessas colônias entrou em colapso há cerca de 600 milhões de anos. Durante a explosão de vida marinha do período Cambriano, animais pastadores começaram a se alimentar ativamente desses tapetes microbianos, dizimando as populações em águas normais.

As formações modernas só sobrevivem hoje porque predadores complexos não conseguem prosperar na hipersalinidade extrema da baía australiana, que possui o dobro de sal do oceano aberto. Devido à sua raridade e importância científica inestimável, o local foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO no ano de 1991.

Proteger esse santuário é a única forma de preservar a biblioteca genética mais antiga de toda a história do planeta Terra

As ameaças climáticas atuais contra essa rocha viva milenar

Apesar de terem sobrevivido a eras glaciais e extinções em massa severas, esses fósseis vivos enfrentam hoje o seu maior desafio. As mudanças climáticas aceleradas e a crescente urbanização da costa da Austrália ameaçam a salinidade e a pureza da água da lagoa.

Dados de monitoramento ambiental indicados em estudos internacionais recentes sobre microbialitos alertam que a alteração do pH do oceano coloca em risco direto os organismos que resistiram intactos por mais de três bilhões de anos. Proteger esse santuário é a única forma de preservar a biblioteca genética mais antiga de toda a história do planeta Terra.

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