O Boletim Focus de hoje, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central, mostra que o mercado financeiro manteve a projeção da inflação de 3,91% para 2026, segundo a mediana das estimativas coletadas junto a instituições financeiras. O relatório semanal reúne as expectativas do mercado para os principais indicadores da economia brasileira, incluindo inflação, crescimento, juros, câmbio e contas externas.
Além da projeção para o índice de preços, os analistas também estimam crescimento de 1,82% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, indicando um ritmo moderado de expansão da atividade econômica.
Boletim Focus de hoje: as projeções para inflação
De acordo com o Boletim Focus de hoje, o mercado espera que a inflação permaneça próxima da meta nos próximos anos.
As estimativas para o IPCA são:
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2026: 3,91%;
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2027: 3,80%;
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2028: 3,50%;
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2029: 3,50%.
O relatório também traz projeções para o IGP-M, que deve encerrar 2026 em 3,19%, segundo a mediana das estimativas do mercado.
Juros ainda elevados em 2026
O levantamento do Banco Central mostrou que o mercado financeiro voltou a projetar a taxa Selic em 12,13% ao ano em 2026, indicando expectativa de juros ainda em patamar elevado no curto prazo.
Para os anos seguintes, as estimativas apontam uma trajetória de redução gradual:
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2026: 12,13%;
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2027: 10,50%;
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2028: 9,00%;
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2029: 8,50%.
Câmbio e setor externo
No mercado de câmbio, as expectativas indicam relativa estabilidade para os próximos anos. A projeção para o dólar em 2026 ficou em R$ 5,41, enquanto para os anos seguintes a mediana permanece em R$ 5,50.
O relatório também traz estimativas para as contas externas do país. Para 2026, o mercado projeta:
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Déficit em conta corrente: US$ 67 bilhões;
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Balança comercial: superávit de US$ 66,9 bilhões;
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Investimento direto no país: US$ 75 bilhões.
Boletim Focus de hoje: mercado projeta aumento da dívida pública
No campo fiscal, o Boletim Focus de hoje mostra que o mercado espera aumento gradual da dívida pública nos próximos anos.
A projeção para a dívida líquida do setor público é:
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70,0% do PIB em 2026;
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73,85% em 2027;
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76,20% em 2028;
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79,30% em 2029.
Já o resultado primário deve permanecer negativo no curto prazo, com expectativa de déficit de 0,50% do PIB em 2026.
IPCA-15 e dólar forte reforçam cenário de juros elevados
Na avaliação de Fernanda Mansano, economista, a precificação de juros mais elevados pelo mercado está relacionada principalmente à dinâmica recente da inflação e ao cenário internacional. Segundo ela, o IPCA-15 veio acima das expectativas, impulsionado principalmente pela alta da gasolina e de outros combustíveis, reforçando a percepção de que a inflação ainda apresenta resistência para desacelerar.
“Esse cenário sustenta a expectativa de Selic mais alta por mais tempo, em linha com a postura do Banco Central. O adiamento das expectativas de corte de juros nos Estados Unidos contribui para um dólar mais forte e um câmbio mais pressionado, e isso pode alimentar pressões inflacionárias no Brasil e reforçar a necessidade de juros elevados no país“, avalia.














