Quem pousa em Boa Vista espera selva e encontra avenidas largas irradiando de uma praça central como raios de sol. A capital de Roraima é a mais setentrional do Brasil, a única totalmente no Hemisfério Norte e uma das poucas cidades brasileiras planejadas do zero no século XX.
O leque que não veio de Paris
Repetir que Boa Vista foi inspirada em Paris virou tradição local, mas o próprio filho do autor do projeto desmentiu a história. O engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson desenhou o traçado radial entre 1944 e 1946, durante o governo do capitão Ene Garcez, primeiro governador do então Território Federal do Rio Branco. A inspiração real foi o conceito de cidade-jardim, conforme revelou o arquiteto Darcy Romero Derenusson em 2016.
O projeto envolveu mais de mil plantas e 20 profissionais. As avenidas partem do Centro Cívico Joaquim Nabuco e se abrem como um leque em direção ao Rio Branco. A regra de que nenhum edifício poderia ter mais da metade da largura da rua como altura manteve a cidade ventilada e horizontal. Boa Vista foi a terceira capital planejada do país, depois de Belo Horizonte e Goiânia.

O que visitar na capital mais setentrional do Brasil?
A maioria das atrações de Boa Vista está no centro ou às margens do Rio Branco, e a maior parte tem entrada gratuita. Estes são os pontos que definem a cidade:
- Orla Taumanan: estrutura suspensa de 6.500 m² sobre a margem do Rio Branco. “Taumanan” significa “paz” em macuxi. O pôr do sol visto dali é considerado um dos mais bonitos do Norte.
- Parque do Rio Branco: inaugurado em 2020, abriga o Mirante Edileusa Lóz (120 m de altura), a Selvinha Amazônica com mais de 160 esculturas e um mural do artista Eduardo Kobra.
- Parque Anauá: 106 hectares de área verde com lago central, forródromo e quadras. “Anauá” significa “lugar de encontro” em macuxi.
- Praça das Águas: fontes luminosas, o Portal do Milênio e concentração de bares e restaurantes na Avenida Capitão Ene Garcês.
- Praça do Centro Cívico: coração do leque urbanístico, com o Monumento ao Garimpeiro (7 m de altura) e as sedes dos três poderes estaduais.
A capital é também porta de entrada para o Monte Roraima?
Sim. Boa Vista funciona como base logística para quem quer chegar ao Monte Roraima, o tepui de 2.810 m na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. A Serra do Tepequém, com cachoeiras e piscinas naturais a 200 km da capital, é outra opção para quem busca natureza sem sair do estado. Na própria cidade, a Praia Grande se forma na margem oposta do Rio Branco durante a estiagem (outubro a março), com barracas e mesas dentro da água.

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Paçoca salgada e damurida na mesma mesa
A gastronomia de Boa Vista mistura heranças indígenas, nordestinas, venezuelanas e guianenses. A paçoca de carne com farinha, feita com carne de sol desfiada, socada no pilão com farinha de mandioca amarela e temperada com pimenta murupi, é patrimônio cultural do município e do estado. Em 2025, um projeto de lei reconheceu Boa Vista como Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha.
Outros pratos que vale provar na capital roraimense:
- Damurida: caldo de peixe com tucupi preto e diversas pimentas, de origem indígena macuxi e wapichana. Servida com beiju.
- Peixe à delícia: filé de peixe amazônico empanado com molho branco, queijo e banana à milanesa.
- Mujica de peixe: peixe assado desfiado e cozido com farinha branca até formar um caldo espesso.
Quem quer conhecer Boa Vista, a capital de Roraima, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 28 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro de 1 dia explorando a única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte:
Como é morar na Princesinha do Norte?
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma capital em crescimento acelerado. A população estimada é de 485.477 pessoas em 2025, o que faz de Boa Vista a capital com maior taxa de crescimento do país naquele ano. O IDHM é de 0,752, o mais alto de Roraima. A cidade concentra cerca de dois terços da população do estado inteiro.
O cotidiano tem ritmo de interior. Ruas arborizadas, calor constante e programas ao ar livre definem a rotina. A influência multicultural aparece na convivência entre línguas indígenas, espanhol de venezuelanos e sotaques nordestinos. A economia gira em torno do funcionalismo público, comércio de fronteira e um setor turístico em expansão.
Como chegar à capital de Roraima?
O Aeroporto Internacional Atlas Brasil Cantanhede recebe voos diários de Manaus e Brasília, com conexões para outras capitais. Por terra, a BR-174 liga Boa Vista a Manaus (785 km, cerca de 10 horas) e à fronteira com a Venezuela ao norte. A BR-401 conecta a cidade à Guiana. Para quem chega de avião, o aeroporto fica a poucos minutos do centro.
A capital que se abre como um leque para quem chega
Boa Vista é uma daquelas cidades que desmentem a ideia de que o extremo norte do Brasil é só floresta e isolamento. Avenidas planejadas, orla viva, gastronomia de fronteira e o leque mais improvável do urbanismo brasileiro se encontram às margens do Rio Branco.
Você precisa cruzar a Linha do Equador e conhecer Boa Vista, a capital onde o sol nasce cedo, o rio vira praia e a paçoca não tem nada de doce.

