O mercado financeiro encerrou a semana com movimentos distintos entre Brasil e Estados Unidos, marcados por ajuste de posições, dados econômicos acima do esperado e reprecificação das expectativas para juros.
No Brasil, o Ibovespa acumulou ganho semanal de 0,88%, apesar de ter devolvido parte dos avanços no último pregão, enquanto em Nova York os principais índices fecharam a semana em baixa, pressionados pelo avanço dos Treasuries e por sinais políticos envolvendo o Federal Reserve.
Ibovespa recua no pregão, mas fecha semana no positivo
Após dois pregões consecutivos de recordes, o Ibovespa passou por um ajuste nesta sexta-feira (6), com investidores realizando lucros. O índice fechou em queda de 0,46%, aos 164.799,98 pontos, depois de oscilar entre 164.099,89 e 165.871,66 pontos.
O volume financeiro somou R$ 33,9 bilhões, em um dia marcado pelo vencimento de opções sobre ações. Ainda assim, no acumulado da semana, o principal índice da B3 avançou 0,88%, enquanto no mês registra alta de 2,28%.
O movimento de baixa foi liderado pelos bancos, que exerceram forte pressão negativa. As ações do BTG Pactual recuaram 1,23%, enquanto Itaú caiu 0,83% e Banco do Brasil, 0,42%. O Bradesco, por outro lado, teve desempenho misto, com leve alta nas ações ordinárias e estabilidade nas preferenciais.
Petrobras limita perdas; Vamos lidera quedas
As perdas do índice foram parcialmente compensadas pela Petrobras, que avançou acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais subiram 0,79%, enquanto as ordinárias avançaram 0,27%. A Vale ficou praticamente estável, mesmo com o recuo do minério de ferro.
Entre as maiores quedas do pregão, destaque para a Vamos, que despencou 9,09%, seguida por Braskem PNA (-5,84%) e Direcional (-5,70%). No campo positivo, Copasa liderou os ganhos, com alta de 2,51%, acompanhada por Cosan (+2,40%) e Assaí (+2,19%).
Juros futuros sobem e mercado questiona corte da Selic
No mercado de renda fixa, os juros futuros avançaram ao longo da semana, impulsionados por dados econômicos acima do esperado. A divulgação do IBC-Br de novembro, somada ao resultado forte das vendas no varejo, reforçou a percepção de que a atividade segue resiliente.
Com isso, aumentaram as dúvidas sobre um eventual início do ciclo de cortes da Selic já em março, como parte do mercado vinha precificando. O cenário levou investidores a exigir prêmios maiores ao longo da curva.
No fechamento da sexta-feira, o DI janeiro de 2027 marcou 13,805%, enquanto o DI janeiro de 2029 foi a 13,195%. Já os contratos mais longos, como janeiro de 2031 e janeiro de 2033, subiram para 13,495% e 13,660%, respectivamente.
Wall Street perde força e fecha semana no vermelho
Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York encerraram a sessão desta sexta-feira em baixa, próximas da estabilidade, após perderem força ao longo do dia. O movimento ocorreu depois de o presidente Donald Trump descartar o nome de Kevin Hassett para comandar o Federal Reserve no lugar de Jerome Powell, o que gerou ajustes nas expectativas do mercado.
O Dow Jones caiu 0,17%, o S&P 500 recuou 0,06%, e o Nasdaq também fechou em baixa de 0,06%. No acumulado da semana, os índices registraram perdas de 0,28%, 0,38% e 0,66%, respectivamente.
Destaque positivo: Novo Nordisk dispara
Na contramão do mercado americano, as ações da Novo Nordisk tiveram forte valorização, com alta de 9,12%. O movimento foi impulsionado por notícias positivas envolvendo o medicamento contra a obesidade Wegovy.
A versão em pílula do remédio teve boa aceitação inicial nos Estados Unidos, enquanto, no Reino Unido, a agência reguladora aprovou uma dose semanal superior ao limite anterior, reforçando as expectativas de expansão das vendas.
Treasuries avançam e reforçam cautela global
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também subiram ao longo da semana, refletindo a cautela dos investidores. O juro da T-Note de 2 anos avançou para 3,601%, enquanto o da T-Note de 10 anos foi a 4,229%. Já o T-Bond de 30 anos atingiu 4,837%.
O movimento reforça o ambiente de maior seletividade global, com os mercados atentos tanto à trajetória dos juros quanto aos desdobramentos políticos e econômicos nas principais economias.
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