O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,7% em novembro na comparação com outubro, já com ajuste sazonal, informou o Banco Central nesta sexta-feira (16). O resultado superou com folga a expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,3%, segundo projeções.
Em outubro, o indicador havia recuado 0,10%, dado revisado de uma queda anterior de 0,25%. No acumulado do trimestre, o IBC-Br avançou 0,20%, sinalizando manutenção de um ritmo moderado de crescimento da atividade econômica.
Na comparação com novembro de 2024, o índice teve alta de 1,20% na série sem ajuste sazonal, também acima da mediana das projeções do mercado, que indicava crescimento de 0,66%. No acumulado de 12 meses, o ganho passou a 2,40%.
Serviços e indústria impulsionam o resultado mensal do IBC-Br
A abertura setorial mostra que o desempenho positivo de novembro foi disseminado. O IBC-Br ex-agropecuária cresceu 0,71%, revertendo a queda de 0,17% registrada em outubro, e avançou 1,18% na comparação interanual.
O setor de serviços, principal componente da economia, teve alta de 0,64% no mês, após variação praticamente estável em outubro. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço foi de 2,04%, reforçando o papel do setor como principal sustentação da atividade.
A indústria também apresentou recuperação, com crescimento de 0,79% em novembro, após queda de 0,86% no mês anterior. Apesar da alta mensal, o setor ainda mostrou fragilidade no interanual, com recuo de 0,26%, e acumulou queda de 0,8% no trimestre.
Já o componente de impostos, que reflete os impostos líquidos sobre produtos do PIB, avançou 1,13% em novembro, após retração em outubro. No entanto, segue em queda tanto na comparação interanual (-0,30%) quanto no acumulado trimestral (-0,40%).
Agro recua no mês, mas segue forte no interanual
A agropecuária apresentou recuo de 0,27% em novembro, devolvendo parte do forte avanço observado em outubro. Ainda assim, o setor acumulou alta de 3,59% na comparação com novembro do ano passado e crescimento de 1,90% no trimestre, mantendo contribuição relevante para o resultado anual.
Leitura do mercado
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos destaca que o IBC-BR traz um sinal claro de que a atividade econômica apresenta sinais de tração mais sólidos do que as leituras anteriores indicavam, mesmo que ainda seja cedo para afirmar que há um crescimento sustentável forte da economia brasileira.
“Ao mesmo tempo, os indicadores de preços, como o IGP-10, mostram que pressões de custos persistem, ainda que moderadas: o índice mediu variação positiva recente (com base em coleta até o dia 10) e, no acumulado do ano passado, o IGP-10 terminou levemente negativo, refletindo alívio nas matérias-primas e preços ao produtor, mas com elementos de inflação ao consumidor e construção ainda presentes. Essa combinação, atividade crescendo acima do esperado, porém ainda moderada, e custos que não estão se deslocando para cima de forma acelerada, cria um ambiente de crescimento econômico entrincheirado, não um ‘boom’, com implicações claras para decisões de crédito e investimento em 2026″, analisa.
Para Edgar Araújo, CEO da Azumi, o avanço de 0,70% do IBC-Br afasta, neste momento, o risco de uma desaceleração mais brusca da economia.
“Ainda assim, o movimento do IGP-10 indica que a dinâmica de custos voltou a ganhar tração no início do ano. Para investidores e gestores, esse cenário reforça a importância de estruturas bem governadas e controle rigoroso de risco. O mercado tende a ser mais seletivo, privilegiando operações com fundamentos sólidos, transparência e previsibilidade. Em um ciclo como esse, consistência operacional passa a ser tão relevante quanto rentabilidade“. avalia.














