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Dia decisivo para juros: Fed em compasso de espera e Copom deve ter nova alta

Renata Nunes Por Renata Nunes
07/05/2025
Em Análises

Em uma semana de Superquarta, marcada por decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, investidores acompanham atentamente os próximos passos dos bancos centrais diante de um cenário de inflação persistente, incertezas fiscais e crescente volatilidade nos mercados. A avaliação do estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, é clara: não deve haver mudanças nas taxas de juros agora, mas a comunicação será decisiva para calibrar expectativas.

Fed deve manter juros e tentar conter volatilidade

Nos Estados Unidos, a decisão do Federal Reserve é esperada com grande expectativa, especialmente após a divulgação de dados inflacionários mais pressionados e indicadores mistos de atividade econômica. Para Gustavo Cruz, a autoridade monetária norte-americana não deve alterar sua taxa de juros nesta reunião, mas usará o comunicado e a coletiva do presidente Jerome Powell para reduzir a volatilidade observada nos mercados nas últimas semanas.

Segundo o estrategista, o Fed deve enfatizar que a recente aceleração do índice de preços nos EUA pode representar um choque pontual, não necessariamente uma mudança de trajetória estrutural da inflação. “A autoridade monetária vai tentar normalizar a percepção do mercado, reforçando que os dados mais fortes podem refletir ruídos temporários e que a tendência ainda é de convergência inflacionária”, explica Cruz.

Além disso, o Fed deve destacar que o mercado de trabalho permanece robusto, com desemprego historicamente baixo, e que a desaceleração do PIB no primeiro trimestre foi amplificada por um aumento atípico das importações, impulsionado por antecipações de estoque pelas empresas — o que distorceu o dado real de crescimento.

Corte de juros em junho ainda é possível, mas dependerá da comunicação

Mesmo com os sinais de resiliência econômica, a avaliação de Cruz é que o Federal Reserve ainda pretende realizar um corte nos juros neste ano, com alta probabilidade de isso ocorrer já na reunião de junho — desde que os dados do segundo trimestre corroborem a tendência de desaceleração. Para isso, Powell deve preparar o terreno cuidadosamente nesta reunião, calibrando o discurso para manter o controle sobre as expectativas sem comprometer sua credibilidade.

“A função do Fed, agora, é mostrar firmeza no combate à inflação, mas abrir margem para flexibilização adiante, caso os indicadores permitam. O recado deve ser de estabilidade atual, mas com vigilância ativa e possibilidade de corte”, analisa o estrategista.

No Brasil, Copom deve elevar a Selic em 0,50 p.p. e manter discurso duro

No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar nesta semana um novo aumento de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, levando a taxa de juros para 15,00% ao ano. Para Gustavo Cruz, esse movimento já é amplamente precificado pelo mercado, que nas últimas semanas oscilou entre apostas de 25 e 50 pontos-base, mas voltou a consolidar a expectativa de uma alta mais agressiva.

Segundo Cruz, a decisão será acompanhada de um comunicado duro, refletindo preocupações com a inflação de serviços, o quadro fiscal deteriorado e a desancoragem das expectativas para os próximos anos. “O Banco Central brasileiro está numa posição complexa. A inflação acumulada em 12 meses vai voltar a subir, alimentos seguem pressionados e os serviços continuam mostrando resistência. A autoridade monetária precisa mostrar que está vigilante”, afirma.

Ciclo de aperto não deve ser encerrado oficialmente

Embora parte do mercado entenda que esta pode ser a última alta do atual ciclo de aperto, Gustavo Cruz avalia que o Copom não deve fechar essa porta agora. O comunicado deve sinalizar que novos aumentos seguem no radar, caso o cenário inflacionário continue pressionado.

“A mensagem será de que o Banco Central ainda não está satisfeito com o ritmo de convergência da inflação e que, embora o atual nível da Selic já seja elevado, ele pode permanecer por mais tempo — ou até subir mais se necessário. O trabalho principal será impedir que o mercado antecipe cortes de juros ainda neste ano”, diz.

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Missão: ancorar expectativas e administrar ruídos

Cruz destaca que, em ambos os casos, os bancos centrais enfrentam o desafio de gerenciar expectativas de forma estratégica. Nos Estados Unidos, o objetivo é evitar pânico ou euforia precoce; no Brasil, a missão é convencer os agentes econômicos de que o ciclo não será revertido tão cedo.

“No caso brasileiro, o Copom deve insistir que o cenário inflacionário ainda exige uma postura firme, especialmente diante da fragilidade fiscal e da persistência dos núcleos inflacionários. Já o Fed atuará para garantir que a trajetória de cortes, se vier, será feita com base em dados, e não em pressão de mercado”, conclui o estrategista da RB Investimentos.

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