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Setores para deixar no radar, segundo estrategista-chefe da Avenue

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
22/09/2025
Em Análises, Bolsa de Valores, Entrevista, Exclusivas, INVESTIMENTOS E FINANÇAS, MERCADOS, NACIONAL

A reprecificação dos ativos globais após a última decisão do Federal Reserve abriu espaço para debates sobre quais setores podem se tornar mais atrativos aos investidores. Além disso, a queda recente dos juros nos Estados Unidos, somada a sinais de desaceleração no mercado de trabalho, vem criando condições para que algumas classes de ativos antes negligenciadas retomem protagonismo. Nesse cenário, a busca por oportunidades em setores mais ligados à economia real ganha destaque entre analistas e gestores.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, essa dinâmica precisa ser analisada com atenção, já que a rotação setorial pode beneficiar tanto segmentos tradicionais quanto áreas mais expostas à tecnologia. Por outro lado, a leitura de risco e retorno continua a ser um ponto central, pois os valuations de alguns ativos ainda se mantêm pressionados.

Quais setores podem se beneficiar desse movimento?

Um dos destaques recentes foram as ações de small e mid caps, que atingiram novas máximas históricas após quase três anos de desempenho aquém dos principais índices. O indicador Russell 2000, que concentra empresas menores, registrou uma forte valorização, sinalizando o retorno do apetite por ativos de maior risco e potencial de crescimento. Nesse sentido, a queda dos juros nos Estados Unidos é um alívio importante para essas companhias, uma vez que grande parte de suas dívidas está atrelada a taxas flutuantes. Quando a taxa de curto prazo recua, o serviço da dívida fica mais leve e o mercado reprecifica o valor futuro dessas empresas.

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Por outro lado, o setor de REITs (fundos imobiliários americanos) também entrou no radar dos investidores. Embora esses ativos dependam mais das taxas de longo prazo, a recente fraqueza do payroll e a consequente queda dos yields ajudaram a criar algum espaço de valorização. Ainda longe das máximas históricas, os REITs representam uma alternativa para investidores que buscam renda e diversificação em um cenário de flexibilização monetária.

Tecnologia segue relevante, mas com nuances

O setor de tecnologia continua sendo um dos motores de valorização da bolsa americana, mas William Castro Alves lembra que há diferenças dentro do espectro. Algumas empresas já vinham surfando bons momentos, enquanto outras, como Intuit, SML e Applied Materials, estavam defasadas em relação aos pares. Além disso, a retomada dessas companhias mostra que o mercado busca oportunidades até mesmo dentro de setores tradicionalmente mais caros em termos de valuation.

Ao mesmo tempo, empresas de software e hardware, especialmente as que oferecem soluções aplicáveis a outros segmentos, continuam atraindo interesse. Nesse sentido, a ligação entre tecnologia e economia real aparece como um vetor importante para identificar oportunidades, já que as inovações podem reduzir custos, acelerar pesquisas e criar vantagens competitivas em diferentes indústrias.

Como outros setores podem aproveitar o momento?

Além de tecnologia e imobiliário, há espaço para setores como financeiro e saúde, que se beneficiam indiretamente dos avanços tecnológicos. No caso dos bancos e fintechs, a automação de processos e a digitalização são caminhos que aumentam eficiência e ampliam margens de lucro. Já em saúde, companhias que utilizam inteligência artificial e novas plataformas para acelerar pesquisas e melhorar diagnósticos encontram um campo fértil para crescimento.

Enquanto isso, setores mais tradicionais, como energia e consumo, enfrentam maior pressão e precisam lidar com margens comprimidas. A busca por retorno ajustado ao risco pode levar investidores a preferir segmentos com maior potencial de ganho em um cenário de juros mais baixos.

O investidor deve olhar para quais direções?

De acordo com William Castro Alves, o mercado americano oferece sempre alternativas interessantes, especialmente pela sua diversidade de ativos, são cerca de 8 mil papéis listados, considerando ações e ETFs. Nesse sentido, a orientação é destrinchar quais setores podem se destacar no pós-Fed, avaliando tanto companhias que se beneficiam diretamente da queda dos juros quanto aquelas que encontram oportunidades a partir de inovações tecnológicas.

Além disso, a lógica do fear of missing out (FOMO) continua atuando sobre os investidores, impulsionando a busca por setores que ficaram para trás e que agora podem se reposicionar. Por outro lado, a seleção exige disciplina, pois nem todas as empresas terão a mesma capacidade de capturar valor nesse novo ambiente.

O corte de juros nos Estados Unidos abre espaço para uma rotação setorial que beneficia ativos ligados à economia real, especialmente small caps e REITs. Ao mesmo tempo, a tecnologia permanece relevante, mas com foco em empresas capazes de entregar valor em meio a valuations elevados. Por fim, setores como saúde e financeiro aparecem como beneficiários indiretos da inovação, reforçando que a análise precisa ir além das categorias tradicionais. Para o investidor, o desafio é identificar quais setores realmente oferecem oportunidades consistentes em um cenário global de maior incerteza, mas também de maior potencial de valorização.

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