Emissões da Petrobras sobem em 2021 com térmicas apesar de melhora em produção

No total, as emissões de GEE da empresa atingiram 61,9 milhões de toneladas de CO² equivalente no ano passado

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) absolutas da Petrobras subiram 11% em 2021 ante o ano anterior, como resultado de uma forte geração termelétrica, em um ano em que o país registrou sua maior seca em reservatórios de hidrelétricas em mais de 90 anos.

Mas o avanço foi atenuado por uma queda das emissões nas áreas de exploração, produção e refino de petróleo no mesmo período, apontaram dados da petroleira nesta quarta-feira.

No total, as emissões de GEE da empresa atingiram 61,9 milhões de toneladas de CO² equivalente no ano passado, alta de 11% versus os 55,7 milhões de toneladas de CO² equivalente registrados em 2020.

“A Petrobras contribuiu para evitar falta de energia e contornar a crise hídrica”, disse à Reuters o diretor-executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da petroleira, Rafael Chaves, em uma entrevista por videoconferência.

O movimento, por sua vez, impulsionou as emissões térmicas para 15,4 milhões de toneladas de CO² equivalente em 2021, alta de 83% na comparação com o ano anterior.

Ainda assim, as emissões absolutas da empresa registraram queda de 21% desde 2015, o que segundo Chaves está consistente com a meta da empresa de redução de 25% em 15 anos até 2030, englobando 100% dos ativos operados pela companhia.

AVANÇOS NO PETRÓLEO

Do lado positivo, a empresa reduziu em 3,8% as emissões da área de exploração e produção em 2021, ante o ano anterior, para 20,2 milhões de toneladas de CO² equivalente.

O resultado, segundo Chaves, advém da eficiência dos ativos da companhia e de avanços tecnológicos empregados.

O executivo reiterou que a estratégia atual da companhia foca na exploração e produção de águas profundas e ultraprofundas, que são mais eficientes e ainda dão mais retorno financeiro para a empresa, enquanto busca vender ativos menos rentáveis.

“Estamos nos concentrando em ativos mais resilientes no campo econômico e que emitem menos, e estamos investindo para reduzir emissões”, disse Chaves.

Como um de seus compromissos, a Petrobras projeta alcançar um total acumulado de reinjeção de 40 milhões de toneladas de CO2 até 2025. Em 2021, a empresa injetou 8,7 milhões de toneladas de CO2, e atingiu um volume acumulado de 30,1 milhões de toneladas de CO2 entre 2008 e 2021.

O programa, segundo Chaves, tem permitido a empresa aumentar a eficiência da produção e, com isso, reduzir a emissão de CO2 por barril produzido.

No refino, a empresa também está investindo em uma série de iniciativas, como em tecnologia de recuperação de calores e gases em caldeira, além de buscar desinvestir de unidades menos estratégicas para a companhia.

As emissões no segmento de refino foram de 21,4 milhões de toneladas de CO² equivalente no ano passado, ante 21,5 milhões de toneladas de CO² equivalente em 2020.

ALÉM DO FÓSSIL

O diretor também pontuou que a Petrobras deverá apresentar em seu próximo plano de negócios uma conclusão sobre estudos em curso que buscam “um segundo motor que não seja baseado m fóssil”.

Anteriormente, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, disse que a companhia havia criado um comitê para avaliar diversas fontes de produção de energia, diante do cenário de transição energética, e que analisava inclusive investimentos em usinas nucleares.

Outras fontes como geotérmicas, eólica e fotovoltaica também foram citadas por Luna na ocasião.

Chaves explicou que a geração nuclear parece em um primeiro momento aderente ao perfil da Petrobras, uma vez que reduz emissões em intensidade, produz energia em larga escala e demanda os quesitos segurança e tecnologia, que são destaques da petroleira, segundo ele, dentre outros aspectos.

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