A IBSA (Institut Biochimique SA), uma multinacional farmacêutica suíça com base italiana, fatura hoje quase 1 bilhão de euros e opera em mais de 90 países. O segredo de seu sucesso não está em descobrir novas moléculas, mas em revolucionar o drug delivery, a forma como os medicamentos chegam ao corpo do paciente.
Como o foco em “Drug Delivery” transforma patentes conhecidas?
Enquanto os gigantes farmacêuticos (Big Pharma) gastam bilhões no desenvolvimento de novos princípios ativos, a IBSA foca em melhorar medicamentos que já existem. O modelo de negócio da empresa é pegar uma molécula comprovada e encontrar “a melhor forma” de administrá-la, aumentando a eficácia e a adesão do paciente ao tratamento.
Essa abordagem pragmática minimiza os riscos financeiros de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Segundo dados do setor de saúde acompanhados pelo Sindusfarma, inovações em drug delivery são essenciais para reduzir efeitos colaterais e garantir que pacientes idosos ou crianças consigam usar a medicação corretamente.

O que é a tecnologia FilmTec e como ela dissolve na língua?
A inovação mais visual da empresa é a tecnologia FilmTec, criada em colaboração com pesquisadores da Universidade de Milão. Trata-se de um filme orodispersível muito fino que se dissolve instantaneamente sobre a língua, sem necessidade de água, administrando vitaminas (como D e B12) ou remédios controlados.
O processo de fabricação dessa película em Cassina de’ Pecchi lembra mais uma confeitaria de alta tecnologia do que um laboratório tradicional. Para entender a vantagem dessa tecnologia, comparamos o filme orodispersível com as opções convencionais do mercado:
| Forma de Administração | FilmTec (Filme Orodispersível) | Comprimidos / Cápsulas Tradicionais |
| Necessidade de Água | Nenhuma (dissolve na saliva) | Obrigatória para deglutição |
| Absorção no Corpo | Muito rápida (via mucosa bucal) | Mais lenta (passa pelo trato digestivo) |
| Público-Alvo Ideal | Crianças, idosos e pessoas com disfagia | Adultos sem dificuldade de deglutição |
Como a IBSA revolucionou as seringas e o ácido hialurônico?
Além dos filmes orais, o fundador da empresa, Arturo Licenziati, revolucionou o mercado com adesivos transdérmicos para anti-inflamatórios locais, inspirados na tecnologia japonesa. Na área da fertilidade, desenvolveram a primeira formulação aquosa (e indolor) para hormônios de reprodução assistida, substituindo as antigas injeções oleosas.
A empresa também é líder global na produção biotecnológica de ácido hialurônico de altíssima pureza. Esse componente, obtido sem extração animal, é o padrão ouro tanto para infiltrações ósseo-articulares na medicina esportiva quanto para preenchedores faciais na medicina estética.
Para explorar os bastidores de uma multinacional farmacêutica de 1 bilhão de euros, destacamos o vídeo do canal Marcello Ascani. O criador leva você para dentro dos laboratórios e fábricas da IBSA na Itália e Suíça, mostrando como a tecnologia e a inovação são aplicadas para criar tratamentos e medicamentos avançados:
Como é a fabricação dos filmes orodispersíveis em larga escala?
A produção dos filmes envolve misturar maltodextrina, água e o princípio ativo em um grande reator, formando um líquido viscoso. Essa mistura é espalhada em uma película contínua que passa por uma série de fornos de secagem, evaporando a água e resultando em uma longa folha flexível e seca.
Por fim, máquinas de alta precisão cortam a folha em pequenos quadrados, do tamanho de um selo postal, e os selam individualmente. A seguir, listamos os pontos críticos desse processo que garantem a segurança do paciente:
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Controle de Umidade: Evita que os filmes derretam ou grudem antes de serem embalados.
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Corte Milimétrico: Garante que a dose exata do princípio ativo (ex: ferro) esteja em cada selo.
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Velocidade de Selagem: Capacidade de embalar entre 200 a 300 mil selos diariamente.
Como o setor farmacêutico lida com desastres e ataques cibernéticos?
Operar em um setor altamente regulado exige uma gestão de riscos implacável. O diretor-geral, Giuseppe Celiberti, destaca que a logística da empresa foi testada recentemente por “cisnes negros” (eventos imprevisíveis), como uma grave inundação que destruiu um armazém em Lodi e tentativas de ataques cibernéticos a seus servidores.
A resiliência industrial provou-se fundamental. No Brasil e no mundo, agências reguladoras como a ANVISA exigem planos de contingência robustos para que o fornecimento de medicamentos vitais não seja interrompido, independentemente de enchentes ou falhas de segurança digital.

