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ANAC relata dificuldades ao TCU e alerta para riscos no setor aéreo

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) atravessa um momento crítico. A escassez de recursos orçamentários pode comprometer atividades essenciais para a segurança da aviação civil brasileira. Em documento enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a ANAC informou que vem adotando medidas administrativas para manter os serviços, mas destaca a preocupação com a continuidade e eficácia de suas operações.

Subordinada ao Ministério de Portos e Aeroportos, a ANAC afirma que o orçamento limitado impacta diretamente sua capacidade de expandir, fiscalizar e regular com eficiência um setor que cresce em ritmo acelerado e enfrenta novos desafios tecnológicos.

Medidas emergenciais geram economia, mas não resolvem o problema

Para enfrentar a crise, a ANAC implementou cortes significativos em sua estrutura operacional. Parte dos funcionários foi transferida para o regime remoto, o que permitiu a desocupação de três andares de sua sede em Brasília. A mudança resultou em redução de 43% nos custos com aluguel, condomínio e IPTU.

Além disso, contratos com empresas de limpeza e vigilância passaram por revisão, resultando em economia de 39% nesses serviços. A agência também encolheu seus escritórios em São José dos Campos, São Paulo e Rio de Janeiro, adotando o compartilhamento de imóveis com outros órgãos públicos. No total, as medidas geraram uma economia estimada em R$ 52 milhões até o final de 2024.

AVIÃO VOANDO – Créditos: depositphotos.com / Junot

Restrições afetam áreas estratégicas e colocam segurança em risco

Mesmo com os cortes, a ANAC continua priorizando atividades essenciais à segurança operacional, como inspeções, certificações e fiscalizações. Porém, a falta de verba ameaça diretamente a qualidade desses serviços, especialmente em um cenário de crescimento do transporte aéreo e avanços tecnológicos.

Projetos importantes nas áreas de tecnologia da informação e segurança cibernética já sofrem com a escassez de recursos. A ausência de investimentos pode prejudicar a proteção de dados, sistemas críticos e a modernização da interface entre a ANAC, as empresas do setor e os cidadãos.

Quadro de pessoal insuficiente agrava a situação

Embora a ANAC tenha contratado 70 novos servidores em 2024, a agência ainda sofre com uma defasagem de 35,5% no quadro funcional. O acúmulo de novas responsabilidades, como a regulamentação de drones e ações de cibersegurança, intensifica o descompasso entre demandas crescentes e capacidade operacional.

Futuro da aviação depende da recuperação da ANAC

A continuidade do crescimento seguro da aviação no Brasil depende da recuperação estrutural e financeira da ANAC. A agência busca alternativas para manter sua relevância, preservar a segurança dos voos e garantir a regulação adequada frente à modernização do setor. Para isso, será essencial garantir investimentos compatíveis com as exigências de um setor em constante transformação.

Anac lança plano para tornar Brasil líder em segurança aérea até 2026
Avião pousando - Créditos: depositphotos.com / photoncatcher63