O conceito de estagflação ganhou força nos anos 1970, após os choques do petróleo. Na época, grandes países produtores restringiram a oferta, provocando um salto nos preços do combustível. Como o petróleo está presente em praticamente toda a cadeia produtiva, o custo de produzir, transportar e armazenar bens subiu rapidamente.
Resultado: a inflação disparou. Ao mesmo tempo, a economia mundial desacelerou, empresas reduziram investimentos e o desemprego cresceu. Foi a primeira vez que a teoria econômica teve de lidar com a combinação de inflação alta e crescimento baixo, algo antes considerado improvável
Em uma simples consulta sobre o significado desse tema seria: “Situação social em que ocorrem concomitantemente estagnação e inflação” , mas é muito mais do que isso…
O que é estagflação e por que ela pesa no bolso das pessoas?
Imagine a seguinte situação: os preços sobem, o salário não acompanha e fica mais difícil encontrar emprego. Parece contraditório, mas isso tem nome: estagflação.
Normalmente, quando a economia vai mal, os preços tendem a ficar mais baixos. E quando a economia cresce, os preços sobem porque as pessoas compram mais. A estagflação foge dessa lógica: tudo fica mais caro enquanto a economia anda para trás.
Isso costuma acontecer quando produzir fica mais caro. Por exemplo didático , se o combustível sobe muito, o transporte encarece. Com isso, o preço dos alimentos, da energia e de quase tudo no mercado também aumenta. As empresas gastam mais para funcionar, mas não conseguem vender mais, então deixam de contratar ou até demitem.
Ao mesmo tempo, os salários não aumentam no mesmo ritmo dos preços. O resultado é que o dinheiro vale menos, perde poder de compra, portanto o consumo cai e o comércio vende menos, criando um ciclo difícil de quebrar.
Para a população, os efeitos são claros , custo de vida aumenta, emprego fica mais escasso, e consequentemente o padrão de vida piora.
Por isso, a estagflação é considerada um dos cenários complicados?
A estagflação é especialmente preocupante porque não tem solução rápida. Medidas para baixar os preços podem piorar o desemprego, enquanto ações para estimular a economia podem fazer os preços subirem ainda mais.
Em resumo, a estagflação é quando o país enfrenta inflação e crise ao mesmo tempo, e quem sente primeiro são as famílias, no supermercado, na conta de luz e na busca por trabalho.
O termo combina dois fenômenos que, em teoria, não deveriam andar juntos: estagnação econômica e inflação alta. Ou seja, a economia não cresce, às vezes até encolhe, ao mesmo tempo em que os preços sobem de forma persistente. Para governos, empresas e famílias, esse é um quadro especialmente difícil de administrar.
Então por que muitas pessoas têm medo disso em 2026?
Alguns analistas e bancos de investimento destacaram que o Brasil pode caminhar para um cenário parecido com estagflação nos próximos anos, por causa de uma combinação de fatores:
- Crescimento econômico fraco: muitas projeções mostram que o Brasil pode crescer pouco em 2026, algo em torno de 1,6% a 1,8% do tamanho da economia, que é um ritmo baixo comparado a anos anteriores.
- Inflação que ainda está presente: apesar de a inflação anual em 2025 ter ficado dentro da meta oficial, perto de 4,26%, ainda existe preocupação de que preços (especialmente de alimentos e serviços) continuem subindo.
- Juros altos: para tentar manter a inflação sob controle, o Banco Central manteve os juros em patamares elevados (como 15%). Juros altos ajudam a conter preços, mas também desestimulam investimentos, consumo e a criação de empregos, dificultando o crescimento.
- Ano eleitoral: tem a tendencia histórica de ser ano expansionista causando anomalias econômicas
- Perspectiva de desaceleração global: desafios econômicos mundiais podem tornar o cenário ainda mais difícil para o Brasil crescer de forma acelerada, reforçando preocupações em relação ao crescimento.
Esses elementos acima levantam debates entre economistas sobre o risco de um quadro que lembre estagflação. Um relatório do banco UBS Brasil chegou a dizer que uma combinação de crescimento fraco com inflação persistente poderia favorecer o país a entrar nesse risco.
Mas é importante lembrar: isso é uma projeção de risco, não uma certeza. Há também previsões e análises que destacam expectativas de inflação mais controlada e crescimento embora modesto para 2026.
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