O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira em queda de 1,52%, aos 174.278,86 pontos, acumulando a terceira baixa consecutiva em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à forte alta dos juros globais. O índice perdeu 2.696,96 pontos no dia e voltou a operar abaixo dos 175 mil pontos.
O movimento refletiu a piora do humor externo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a ameaçar o Irã, reacendendo temores sobre uma escalada militar no Oriente Médio. Além disso, os rendimentos dos Treasuries americanos avançaram com força, pressionando ativos de risco ao redor do mundo.
Dólar sobe e juros futuros renovam máximas
No câmbio, o dólar comercial voltou a subir após a forte queda registrada na sessão anterior. A moeda norte-americana avançou 0,85%, encerrando o dia cotada a R$ 5,041. Já os juros futuros subiram em toda a curva, atingindo os maiores níveis em 12 meses.
O mercado acompanhou com cautela as novas declarações envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que Washington mantém ameaças militares enquanto fala em negociações diplomáticas.
Ao mesmo tempo, investidores monitoraram o encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin, realizado na China em meio ao agravamento das tensões globais.
Wall Street cai com pressão dos Treasuries
Apesar da leve queda do petróleo internacional ao longo do dia, as bolsas em Nova York encerraram a sessão no vermelho, pressionadas pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
Segundo Will McGough, diretor de investimentos da Prime Capital Financial, o mercado segue atento ao risco de preços elevados de energia pressionarem ainda mais a inflação global.
Galípolo fala sobre juros e inflação
No cenário doméstico, investidores acompanharam a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em audiência no Senado Federal. Durante o encontro, Galípolo afirmou que a Selic permanece em nível restritivo, embora a economia brasileira continue resiliente e a inflação siga pressionada.
Além disso, a Organização das Nações Unidas manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB brasileiro em 2027, sem alterações em relação ao relatório divulgado anteriormente.
Vale, Petrobras e bancos pressionam índice
Entre os pesos-pesados do índice, Vale (VALE3) caiu 0,99%, pressionada pela queda do minério de ferro no mercado internacional. Já Petrobras (PETR4) recuou 0,75%, acompanhando o movimento do petróleo.
Os grandes bancos também fecharam em baixa. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,93%, Bradesco (BBDC4) perdeu 1,53%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 2,12% e Santander (SANB11) desvalorizou 0,37%.
A B3 (B3SA3) liderou as perdas do índice, com queda de 4,96%, após a companhia anunciar Christian Egan como novo diretor-presidente, substituindo Gilson Finkelsztain.
Apenas quatro ações fecharam em alta
Em um pregão amplamente negativo, apenas quatro ativos do Ibovespa encerraram no positivo. Usiminas (USIM5) liderou os ganhos, com alta de 1,11%. Na sequência vieram PRIO (PRIO3), com avanço de 0,73%, TIM (TIMS3), que subiu 0,63%, e Smart Fit (SMFT3), com valorização de 0,11%.
Já a Ambev (ABEV3) terminou o pregão estável, sem variação.














