O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (13) em queda, refletindo a aversão ao risco no cenário internacional e o desempenho negativo de ações relevantes do índice. O principal índice da B3 terminou o dia com baixa de 0,91%, aos 177.653 pontos, após oscilar entre a máxima de 180.995 pontos e a mínima de 177.321 pontos. O volume financeiro somou cerca de R$ 30,1 bilhões.
Entre os papéis de maior peso no índice, as ações da Petrobras operaram no campo negativo. Os papéis ordinários da companhia (PETR3) recuaram cerca de 0,60%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) caíram aproximadamente 0,89%, pressionando o desempenho da bolsa mesmo em um cenário de petróleo elevado no mercado internacional.
O movimento ocorreu em um ambiente de maior cautela global. As bolsas em Nova York também encerraram a sessão em queda, refletindo preocupações com a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre inflação e preços de energia.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o mercado brasileiro continua sensível ao ambiente internacional, ainda que com menor intensidade do que em outros momentos recentes.
“O mercado acionário brasileiro se ressente, embora com menos intensidade do que antes, do ambiente avesso a risco nos mercados globais, impactados, sobretudo, na minha visão, pelo conflito no Irã e pela alta do petróleo, que afeta perspectivas para a inflação e juros globais.”
O economista destaca que o movimento observado na bolsa brasileira acompanha o comportamento das bolsas americanas, mas com fatores domésticos adicionais influenciando o humor dos investidores.
“Neste sentido, fica claro que o mercado brasileiro responde ao movimento observado também nas bolsas americanas, tendo como ingredientes adicionais o IPCA de fevereiro, divulgado ontem, e o anúncio de aumento de combustíveis pela Petrobrás, que trazem um ambiente mais restritivo para a tomada de decisão pelo Copom na semana que vem.”
Na avaliação de Perri, esses fatores não impactam apenas a decisão imediata de política monetária, mas também as expectativas para o ciclo de juros no Brasil.
“Vejo que o movimento afeta não somente as expectativas para a reunião da próxima semana, mas também em relação à duração e intensidade dos cortes de juros, pressionando taxas de desconto que refletem na bolsa local.”
O economista também aponta que o câmbio acompanha o movimento global de busca por proteção em meio ao aumento das incertezas.
“O dólar responde a um movimento de valorização global, em busca de segurança dos mercados em um ambiente de elevada incerteza e aversão a risco.”
Segundo ele, a combinação entre dólar e petróleo em alta, inflação recente e reajustes de combustíveis contribui para pressionar a curva de juros no Brasil.
“A alta do dólar (e do petróleo), somados ao IPCA de fevereiro e ao anúncio de aumento dos combustíveis pela Petrobrás mexer com perspectivas de inflação e em relação ao corte de juros no próximo Copom, bem como com a curva de juros, que é pressionada para cima.”
Desempenho da semana
No acumulado da semana, o Ibovespa registrou queda de 0,95%, marcando a terceira semana consecutiva de perdas. A volatilidade predominou ao longo dos últimos pregões, com o mercado reagindo principalmente às notícias relacionadas ao conflito no Oriente Médio e às oscilações do petróleo.
- Segunda-feira (9): +0,86%
- Terça-feira (10): +1,40%
- Quarta-feira (11): +0,28%
- Quinta-feira (12): −2,55%
- Sexta-feira (13): −0,91%
No acumulado do mês de março, o índice apresenta recuo de cerca de 5,9%. Ainda assim, o Ibovespa segue em alta no ano, com valorização de aproximadamente 10,3% em 2026.
Entre os destaques de queda no pregão, a CSN foi pressionada após a repercussão dos resultados do quarto trimestre de 2025, que mostraram prejuízo líquido e elevado nível de endividamento. Já a Hapvida reagiu a notícias envolvendo a companhia e movimentações financeiras de Daniel Vorcaro, enquanto a MRV refletiu menor expectativa de crescimento e necessidade de reforço em sua estrutura de capital.
Entre as altas, papéis ligados ao setor de combustíveis como Petrobras e Vibra chegaram a reagir positivamente em alguns momentos do pregão, impulsionados pela recente alta nos preços dos combustíveis.













