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63% dos profissionais brasileiros dizem que buscar emprego ficou mais difícil no último ano

Especialistas da StartSe apontam que avanço da IA, aumento da exigência e desigualdades estruturais tornam a recolocação mais complexa e exigem adaptação contínua

Maurílio GoeldnerPor Maurílio Goeldner
01/04/2026

Uma recente pesquisa realizada pelo LinkedIn, mais da metade dos profissionais brasileiros pretende buscar um novo emprego ao longo de 2026, mas 63% desse público entende que a procura ficou mais difícil no último ano por fatores como a inserção da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, o alto nível de exigência em processos seletivos e o aumento na concorrência.  “Não está mais difícil porque existem menos oportunidades, mas porque a lógica de empregabilidade mudou completamente”, diz o diretor geral do LinkedIn para América Latina e África, Milton Beck. Ele falou sobre o tema durante o RH Leadership Festival, evento realizado pela StartSe na última semana e que reuniu mais de 6 mil líderes, executivos e profissionais de Recursos Humanos no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Fabio Neto no RH Leadership Festival 2026: “Não existe mais profissional que não seja tech” (Foto: Divulgação)

Segundo Fabio Neto, sócio da StartSe, o cenário expõe um desafio comum às empresas na atualidade que é a requalificação ou o chamado reskilling. “A grande questão hoje não é ´mais se tem espaço para profissionais generalistas, que sabem um pouco de tudo, versus especialistas, que dominam com profundidade um determinado tema. O que fica deste evento é que talvez o caminho seja dos multi-especialistas, pessoas que vão ser especializadas em várias coisas e uma delas é entender o papel da tecnologia nesse novo mundo”, explica. 

Nesse contexto, para o executivo, todo profissional deve ter uma veia “tech”. “Não existe mais profissional que não seja tech. O mesmo acontece com as empresas: já não há espaço para organizações que não sejam, de alguma forma, tech. Essa é a grande transição do mercado de trabalho: o RH precisa ser tech, o marketing precisa ser tech, o jurídico precisa ser tech. E esse, talvez, seja o principal desafio para as pessoas.” pontua Fabio Neto.

Autor do livro “Trabalho de Ser Humano” lançado no RH Leadership Festival, o CEO da StartSe, Piero Franceschi lembra que o mercado de trabalho na atualidade é marcado pela convergência entre máquinas cada vez mais inteligentes e humanos cada vez mais cansados.

O CEO da StartSe em entrevista ao portal BM&C News: lançamento do livro “Trabalho de Ser Humano”

“Por isso, eu trouxe no livro, e trazemos nesse evento também, o questionamento: o que fazer para ser diferente das máquinas e se reconectar com o trabalho? Defendo que temos três caminhos: desafio, descoberta e diálogo, processos que são exclusivos para seres humanos e podem nos apoiar a recuperar nosso lugar no mercado”, comenta.

Para ele, a combinação entre habilidades humanas e o potencial da tecnologia para a construção do futuro do trabalho ganhou forma no palco central do evento, assim como nas oficinas, onde os temas foram aplicados de forma prática para centenas de participantes.

Cenários

Speaker do painel “Protagonistas do Futuro: Mulheres que estão redesenhando a sociedade” do RH Leadership Festival, a CEO e fundadora da Gestão Kairós – consultoria especializada em Diversidade e Sustentabilidade – Liliane Rocha chamou atenção em sua fala para uma faceta ainda mais complexa desse cenário: o impacto desigual das transformações do mercado de trabalho sobre diferentes grupos sociais. Segundo a executiva, embora a digitalização e o avanço da Inteligência Artificial estejam redesenhando oportunidades, eles também tendem a ampliar desigualdades já existentes, tendo em vista que a tecnologia não é neutra.

“Uma vez que a IA não é neutra, ela pode ampliar e impactar, por exemplo, o acesso ao desemprego. Recentemente saiu uma pesquisa da Panda Pé e da Deco com 460 profissionais, mostrando que 77% dos profissionais que recrutam já usam a IA. Qual o perigo por trás disso? Se a IA é preditiva, ou seja, a IA funciona com base em informações e dados, imputados nela, se esses dados e essas informações já vêm carregados de uma série de preconceitos, estereótipos e vieses inconscientes humanos que são automatizados através da IA, a IA vai exponencializar o preconceito, vai exponencializar a segregação, vai exponencializar a possibilidade de que algumas pessoas que são historicamente marginalizadas tenham ainda mais dificuldade de acesso”, explica.

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Assim como os executivos da StartSe, Liliane indica em sua fala medidas que podem apoiar a construção de um futuro do trabalho mais favorável aos humanos, com destaque ao uso cada vez mais profundo e consciente da IA, por parte de pessoas, por parte de empresas e por parte de sociedades. “A IA, mais do que nunca, tem que ser humanizada, tem que ter uma perspectiva de trazer e ampliar oportunidades para as pessoas e não excluí-las”, defende.

Diante desse cenário, ao longo do evento, as falas dos especialistas convergem para a linha de que o futuro do trabalho se desenha menos como uma disputa entre humanos e máquinas e mais como um desafio de adaptação, consciência e responsabilidade coletiva.

Veja mais notícias aqui.

Acesse o canal de vídeos da BM&C News.

 

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“Uma vez que a IA não é neutra, ela pode ampliar e impactar, por exemplo, o acesso ao desemprego. Recentemente saiu uma pesquisa da Panda Pé e da Deco com 460 profissionais, mostrando que 77% dos profissionais que recrutam já usam a IA. Qual o perigo por trás disso? Se a IA é preditiva, ou seja, a IA funciona com base em informações e dados, imputados nela, se esses dados e essas informações já vêm carregados de uma série de preconceitos, estereótipos e vieses inconscientes humanos que são automatizados através da IA, a IA vai exponencializar o preconceito, vai exponencializar a segregação, vai exponencializar a possibilidade de que algumas pessoas que são historicamente marginalizadas tenham ainda mais dificuldade de acesso”, explica.

Assim como os executivos da StartSe, Liliane indica em sua fala medidas que podem apoiar a construção de um futuro do trabalho mais favorável aos humanos, com destaque ao uso cada vez mais profundo e consciente da IA, por parte de pessoas, por parte de empresas e por parte de sociedades. “A IA, mais do que nunca, tem que ser humanizada, tem que ter uma perspectiva de trazer e ampliar oportunidades para as pessoas e não excluí-las”, defende.

Diante desse cenário, ao longo do evento, as falas dos especialistas convergem para a linha de que o futuro do trabalho se desenha menos como uma disputa entre humanos e máquinas e mais como um desafio de adaptação, consciência e responsabilidade coletiva.

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