A Microsoft registrou lucro líquido de US$ 38,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 60% em relação aos US$ 24,1 bilhões apurados no mesmo período de 2024, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (28). O resultado reforça a forte geração de caixa da companhia, mas não dissipou completamente as dúvidas dos investidores sobre a eficiência dos pesados aportes em inteligência artificial.
O lucro por ação (EPS) subiu de US$ 3,23 para US$ 5,16 na comparação anual. No critério ajustado, o indicador ficou em US$ 4,14.
A receita total alcançou US$ 81,3 bilhões, crescimento de 17%, levemente acima da estimativa média do mercado, de US$ 80,27 bilhões.
Microsoft: nuvem cresce, mas sem surpresa
A divisão de nuvem inteligente somou US$ 32,9 bilhões em receita, alta de 29% na comparação anual. Dentro desse segmento, a Azure, principal plataforma de computação em nuvem da companhia, registrou crescimento de 39% no período.
O desempenho da Azure ficou praticamente em linha com a expectativa do mercado, que projetava avanço de 38,8%, de acordo com dados da Visible Alpha. Apesar do crescimento robusto, o fato de o número não ter superado de forma relevante o consenso foi interpretado como um sinal de que a monetização da inteligência artificial ainda não se traduz em aceleração expressiva de receitas.
Desempenho por divisões
Na área de produtividade e processos corporativos, que inclui produtos como Office e LinkedIn, a receita subiu para US$ 34,1 bilhões, crescimento de 16% na comparação anual.
Já o segmento de computação pessoal, que engloba Windows, dispositivos e games, registrou queda de 3% no faturamento, refletindo a maturação do mercado de PCs e menor dinamismo no consumo.
IA no centro da estratégia e da disputa
A Microsoft construiu uma posição de liderança na corrida pela inteligência artificial a partir de sua aposta antecipada na OpenAI, cuja tecnologia sustenta diversas soluções da empresa, como o M365 Copilot, integrado aos principais softwares corporativos.
No entanto, o ambiente competitivo se intensificou nos últimos meses. O avanço do modelo Gemini, do Google, e o lançamento de agentes autônomos como o Claude Cowork, da Anthropic, passaram a representar riscos tanto para o negócio de IA da Microsoft quanto para suas ofertas tradicionais de software.
“Para os investidores, o balanço reforça um dilema central: a empresa segue entregando crescimento sólido de lucro e receita, mas o mercado busca sinais mais claros de que os investimentos bilionários em IA se traduzirão em vantagens econômicas sustentáveis no médio e longo prazo“, avalia Marco Saravalle, CIO da MSX Invest.












