O nível de endividamento corporativo voltou ao radar do mercado financeiro. O estrategista-chefe da MSX Invest e da Krivo, Marco Saravalle, destacou que o investidor precisa olhar além do tamanho absoluto das dívidas e focar em indicadores que mostram o real risco financeiro das companhias listadas. Ele preparou um estudo exclusivo para a BM&C News com dados da plataforma ComDinheiro. O cenário de juros elevados por um período prolongado revela que o caixa das empresas de segue pressionado, o que aumenta a preocupação com a sustentabilidade da estrutura de capital.
Saravalle ressaltou que a métrica mais relevante para avaliar o risco não é apenas a dívida bruta, mas a relação entre dívida líquida e valor da firma (enterprise value): “O investidor precisa comparar o valor de mercado com a dívida líquida. É isso que mostra o tamanho da preocupação”.
O levantamento mostra diversas companhias aparecem com níveis de alavancagem considerados elevados. Entre os casos que exigem maior atenção estão Azul, PDG Realty, OSX Brasil, Sequoia Logística, General Shopping, Oi, Gafisa, João Fortes, AgroGalaxy e Ambipar. Em alguns desses casos, a dívida líquida representa mais de 90% do valor total da empresa.
Na avaliação de Saravalle, esse cenário indica que o valor de mercado dessas companhias se tornou relativamente pequeno diante do volume de obrigações financeiras. “Há empresas em que praticamente todo o valor da firma é dívida. É aí que o investidor precisa redobrar a atenção”, destacou.
Tamanho da dívida precisa ser contextualizado
O estrategista também ponderou que empresas de grande porte naturalmente possuem dívidas absolutas maiores. No topo da lista aparecem Petrobras e JBS, seguidas por companhias como Vale e Suzano.
Para ele, nesses casos é fundamental analisar a capacidade de geração de caixa e o porte das operações.
“Quando a empresa é grande e tem receita compatível, a estrutura de capital pode continuar saudável, mesmo com números bilionários”, explicou.
Juros elevados pressionam estrutura financeira
Saravalle ainda ressaltou que o custo elevado do capital nos últimos anos contribuiu para o aumento da alavancagem corporativa e dificultou o equilíbrio financeiro de diversas empresas.
“O juro alto por muito tempo vai consumindo caixa e desgastando a gestão das companhias”, afirmou.
Diante desse cenário, a recomendação é que investidores acompanhem de perto indicadores de endividamento e liquidez, especialmente em companhias cujo valor de mercado não acompanha o crescimento das obrigações financeiras.
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