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ECONOMIA

Pacote fora do orçamento: “é necessário responsabilidade fiscal”, diz Felipe Salto

O economista-chefe da Warren, Felipe Salto, analisou o pacote de medidas apresentado pelo governo Lula e seu impacto sobre a credibilidade do arcabouço fiscal. As iniciativas incluem fundos garantidores e incentivos a empresas exportadoras, apontadas pelo especialista como instrumentos relevantes para estimular a economia. “Essas medidas são um passo importante na direção certa, pois visam fortalecer a confiança do mercado”, afirmou.

Apesar de conter ações que ultrapassam limites previamente estabelecidos no controle de gastos, o mercado reagiu positivamente. Segundo Salto, essa resposta está ligada a uma leitura otimista do potencial de crescimento econômico, ainda que existam riscos associados ao equilíbrio fiscal. “Os investidores estão avaliando o potencial de expansão econômica antes de focar apenas nos limites orçamentários”, complementou.

Quais são os riscos fiscais?

Salto destacou que o aumento da dívida pública é um dos principais pontos de atenção. Um crescimento acelerado das despesas pode comprometer a sustentabilidade das contas públicas e levar a pressões adicionais sobre os juros. “Embora o pacote atual traga benefícios imediatos, é fundamental que o governo mantenha um controle rigoroso sobre os gastos futuros”, alertou.

Além disso, a dependência recorrente de medidas emergenciais para garantir estabilidade pode criar um ambiente de incerteza e afastar investidores no longo prazo. Nesse sentido, o economista reforçou a importância de encontrar um equilíbrio entre estímulos econômicos e disciplina fiscal. “É preciso que haja um equilíbrio entre estímulos e responsabilidade fiscal para garantir a saúde da economia”.

Como as medidas influenciam as taxas de juros?

O pacote de estímulos não afeta apenas a atividade econômica, mas também as expectativas para a política monetária. Salto explicou que o Banco Central deverá monitorar atentamente os efeitos das novas medidas sobre a inflação e o crescimento. “O Banco Central deve considerar o impacto dessas medidas na inflação e na atividade econômica”, afirmou.

As taxas de juros, já em nível elevado, podem sofrer novas pressões se a inflação ganhar força com os gastos adicionais. Por outro lado, uma comunicação clara e coordenada entre governo e autoridade monetária será crucial para alinhar expectativas e preservar a credibilidade.

Qual a perspectiva macroeconômica?

Para Salto, as medidas anunciadas têm potencial de impulsionar o crescimento no curto prazo. Entretanto, a sustentabilidade desse avanço dependerá da manutenção da disciplina fiscal, principalmente em um cenário global volátil. “O cenário econômico global também deve ser considerado, pois fatores externos podem influenciar a recuperação”, observou.

O economista recomendou que investidores acompanhem de perto mudanças nas políticas fiscais e monetárias, ajustando suas estratégias diante de novos dados. Ele destacou que diversificar investimentos e manter flexibilidade para reagir a mudanças é essencial.

Quais estratégias podem ser adotadas?

Em um cenário com oportunidades, mas também riscos fiscais relevantes, algumas estratégias sugeridas incluem:

  • Avaliar setores que podem se beneficiar diretamente das medidas fiscais;
  • Monitorar a inflação e possíveis impactos sobre as taxas de juros;
  • Manter uma carteira diversificada para diluir riscos;
  • Acompanhar a comunicação e decisões do Banco Central e do governo.

Essas ações, segundo Salto, podem ajudar investidores a equilibrar risco e retorno, preservando capital e aproveitando oportunidades que surgirem a partir da nova conjuntura fiscal e econômica.

Assista na íntegra:

"Responsabilidade fiscal deve acompanhar estímulos", diz Felipe Salto
Felipe Salto analisa pacote do governo fora do orçamento. Foto: depositphotos.com / Alisonnunes