Na véspera da divulgação oficial do IPCA de fevereiro, prevista para esta sexta-feira (27), economistas já tentam antecipar o tom do indicador mais importante para a política monetária brasileira. A expectativa predominante é de uma inflação ainda resistente, não necessariamente elevada no cheio, mas com composição que continua incomodando o Banco Central.
Relatório do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval aponta que a prévia da inflação deve mostrar alta de 0,56% no IPCA-15 de fevereiro, puxada principalmente por reajustes sazonais em educação, tradicionalmente concentrados no início do ano letivo. Ou seja: não é o número isolado que preocupa o mercado. É onde a inflação está.
O vilão recorrente: serviços
O grande foco do mercado financeiro continua sendo o comportamento dos serviços, componente mais sensível ao nível de atividade e ao mercado de trabalho.
Segundo o Daycoval, itens intensivos em mão de obra devem permanecer pressionados e o núcleo da inflação de serviços seguirá elevado, representando “desafio para o Banco Central”.
Ao mesmo tempo, alguns componentes devem impedir uma aceleração maior do índice. O relatório aponta que passagens aéreas devem registrar nova deflação e que o vestuário tende a apresentar queda de preços. Nos preços administrados, a expectativa é de leve alta da gasolina compensada por recuo na energia elétrica.
A alimentação no domicílio deve permanecer em alta moderada pelo segundo mês consecutivo, porém ainda com variação anual baixa. Esse comportamento é relevante porque os alimentos foram um dos principais fatores de alívio inflacionário ao longo do ano passado.
O indicador desta semana também é observado por ocorrer às vésperas de uma possível mudança no ciclo de juros. O Daycoval projeta inflação de 3,8% ao fim do ano e trabalha com cenário de início do corte da Selic em março, com redução inicial de 0,25 ponto percentual. A intensidade do movimento, porém, dependerá do comportamento dos núcleos inflacionários.
Se a inflação de serviços continuar resistente, o Banco Central pode optar por iniciar a flexibilização de forma mais cautelosa. Caso os núcleos mostrem desaceleração mais clara, cresce a probabilidade de cortes mais firmes ao longo do primeiro semestre.
Historicamente, a leitura de fevereiro funciona como um dos primeiros testes do ano para a política monetária. Janeiro costuma ser contaminado por reajustes concentrados e março ainda carrega efeitos sazonais. Por isso, o dado agora tende a oferecer um retrato mais fiel da inflação corrente.
O mercado deve observar principalmente três fatores após a divulgação: o comportamento dos serviços subjacentes, a difusão inflacionária e os núcleos do índice. Dependendo do resultado, a reação pode aparecer imediatamente na curva de juros futuros, independentemente do número cheio.
Veja mais notícias aqui.
Acesse o canal de vídeos da BM&C News.













