O IPCA-15 de janeiro, que será divulgado nesta terça-feira (27), deve registrar alta de 0,31%, segundo projeções do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval. A leitura reforça a avaliação de que a inflação segue resistente, especialmente no setor de serviços e nos preços de alimentos, sem sinalizar espaço para um alívio mais imediato da política monetária.
De acordo com o relatório, a projeção atualizada para a inflação ao final de 2026 é de 4,1%, ainda acima do centro da meta, apesar de apresentar viés de baixa. Mesmo assim, o banco mantém a expectativa de que o início dos cortes da taxa Selic ocorra apenas em março, indicando que o Banco Central deve continuar cauteloso no curto prazo.
Serviços seguem como principal foco de pressão
O grupo de serviços deve ser um dos principais vetores de alta do índice, impulsionado pelo aumento das passagens aéreas, da alimentação fora do domicílio e dos itens intensivos em trabalho, que refletem diretamente a dinâmica do mercado de trabalho aquecido.
Esses componentes são considerados especialmente relevantes para a política monetária, pois costumam responder mais lentamente ao aperto dos juros e indicam o grau de inércia inflacionária da economia.
Entre os bens industriais, a expectativa é de alta nos preços de vestuário, móveis e eletrodomésticos, enquanto o principal fator de alívio vem da previsão de deflação em automóveis usados.
Já a alimentação no domicílio deve voltar a subir, puxada pela pressão sazonal de itens in natura, movimento típico do início do ano e que tende a impactar diretamente o custo de vida das famílias.
Administrados: gasolina sobe, energia ajuda
No grupo dos preços administrados, a alta deve ser influenciada pelo aumento da gasolina, em função da elevação dos impostos sobre combustíveis. Em contrapartida, a energia elétrica residencial deve registrar deflação após a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, o que ajuda a suavizar a pressão do grupo.
Núcleo de serviços ainda preocupa o BC
Um dos principais pontos de atenção do relatório é o comportamento do núcleo da inflação de serviços. Apesar de mostrar desaceleração na comparação anual, o indicador segue em patamar elevado e continua sendo um desafio relevante para o Banco Central.
Segundo os economistas do Daycoval, será fundamental observar a evolução dos itens mais sensíveis ao ciclo econômico, especialmente os intensivos em trabalho, que devem permanecer pressionados e limitam a possibilidade de cortes mais agressivos nos juros ao longo de 2026.
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