A última semana de abril começa sob pressão para os mercados globais, em meio ao agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio e à escalada dos preços do petróleo. O período concentra uma agenda carregada de decisões de política monetária, indicadores econômicos relevantes e divulgação de resultados corporativos no Brasil e no exterior.
O principal destaque fica para a chamada “superquarta”, quando o Federal Reserve (Fed) e o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciam suas decisões de juros. Além disso, outros bancos centrais relevantes também entram no radar ao longo da semana, como o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ). “Os destaques serão os desdobramentos da guerra, a alta do preço do petróleo e os seus impactos nas economias globais”, explica Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market da BM&C News. Para ele, a elevação das commodities, especialmente energia e insumos como fertilizantes, tende a repercutir diretamente nos índices de inflação, influenciando decisões de política monetária e o comportamento dos mercados.
Decisões de juros dominam a semana
A agenda de bancos centrais será um dos principais vetores de volatilidade.
Na quarta-feira, além do Fed, também estão previstas decisões do Banco Central do Canadá e do Banco Central do Brasil. Já na quinta-feira, entram em cena o BCE e o Banco da Inglaterra, enquanto o Banco do Japão também divulga sua decisão ao longo da semana.
No Brasil, a expectativa gira em torno da decisão do Copom, com a taxa Selic atualmente em 14,75% ao ano, além de uma série de indicadores relevantes. A agenda doméstica traz dados importantes que devem ajudar a calibrar as expectativas para a economia brasileira.
Entre os principais indicadores estão:
- IPCA-15, prévia da inflação oficial (terça-feira)
- IGP-M (quarta-feira)
- Dados fiscais, PNAD e Caged (quinta-feira)
Além disso, o mercado acompanha indicadores como arrecadação, dívida pública e confiança do consumidor.
EUA: inflação, PIB e temporada de balanços
Nos Estados Unidos, a agenda também é intensa, com destaque para dados de inflação, atividade e o avanço da temporada de resultados.
Entre os indicadores mais relevantes estão:
- PCE de março, medida de inflação preferida do Fed
- Primeira prévia do PIB do 1º trimestre
- Confiança do consumidor
Ao mesmo tempo, a temporada de balanços ganha força com a divulgação de resultados de gigantes da tecnologia, incluindo:
- Microsoft
- Alphabet (Google)
- Amazon
- Meta
- Apple
Empresas dos setores de energia e telecomunicações, como Exxon Mobil, Chevron, Verizon e T-Mobile, também divulgam seus números. “Nos Estados Unidos, cinco das sete grandes empresas de tecnologia divulgarão seus balanços ao longo da semana”, destaca Francisco Alves.
Brasil: balanços e Petrobras no radar
No cenário corporativo doméstico, a semana também é movimentada, com resultados de empresas relevantes para o mercado.
Entre os destaques estão:
- Vale
- Weg
- Santander Brasil
- Gerdau
Outro ponto de atenção é a divulgação do relatório de produção e vendas da Petrobras, prevista para quinta-feira (30), após o fechamento do mercado.
Devido ao feriado de 1º de maio na sexta-feira, a reação do mercado brasileiro deve ocorrer apenas na semana seguinte. No entanto, os ADRs da companhia nos Estados Unidos devem refletir os números ainda na sexta-feira. A semana será menor no Brasil e em diversos países devido ao feriado do Dia do Trabalho. Já os mercados americanos funcionam normalmente. “Temos uma semana recheada de eventos que devem nortear os mercados, tanto no Brasil quanto no exterior”, conclui Francisco Alves.














